A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou inquérito para apurar uma denúncia de estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos, ocorrido na noite de sexta-feira (12) no bairro Arvoredo, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. O caso foi registrado pela Polícia Militar no sábado (13). Todos os suspeitos têm menos de 18 anos e as identidades não foram divulgadas. A investigação corre sob sigilo na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).

Dinâmica do crime

De acordo com o boletim de ocorrência, a adolescente aproveitou a ausência dos pais para reunir amigos em sua residência para um churrasco. Inicialmente, nove pessoas participavam: a jovem, duas amigas, o namorado de uma delas, um amigo do casal e outros quatro adolescentes conhecidos da vítima. O grupo consumia bebidas alcoólicas, e a vítima suspeita que alguma substância tenha sido colocada em sua bebida, o que a fez perder a consciência.

Parte dos convidados deixou a casa ao longo da noite. Ao retomar a consciência, a adolescente relatou que se encontrou em uma situação de violência, com dois adolescentes mantendo relação sexual com ela sem consentimento. Um terceiro jovem estava no local observando o ato. Um quarto adolescente não estava presente quando ela despertou, mas posteriormente teria enviado mensagens admitindo participação e afirmando que deixou o local após se arrepender.

Evidências e pressão

A Polícia Militar informou que a adolescente apresentou aos investigadores mensagens trocadas com alguns jovens após o ocorrido, incluindo pedidos de desculpas e referências à participação deles. A vítima também afirmou ter recebido mensagens de uma mulher identificada como mãe de um dos adolescentes, que a teria pressionado a não procurar as autoridades. A jovem informou que não mantinha relacionamento com nenhum dos adolescentes citados.

Atendimento médico e investigação

Após o registro da ocorrência, a adolescente foi encaminhada à Maternidade Municipal de Contagem, onde recebeu atendimento médico e passou por exames. Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais afirmou que foram adotadas as primeiras providências investigativas pela 1ª Delegacia de Polícia Civil e, concluída essa etapa, o inquérito foi encaminhado à Deam. Caso haja responsabilização, ela ocorrerá por meio da apuração de atos infracionais, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).