A Polícia Civil de São Paulo, por meio do Laboratório de Tecnologia Contra a Lavagem de Dinheiro (Lab-LD), rastreou mais de R$ 9,6 bilhões movimentados em esquemas de lavagem de dinheiro em 2025. O montante inclui valores relacionados à Operação Vérnix, que resultou na prisão da influenciadora Deolane Bezerra. No período, foram analisadas mais de 69 mil contas bancárias, gerando quase 130 relatórios técnicos, segundo a corporação.

Operação Vérnix

Um dos relatórios embasou a Operação Vérnix, que indiciou sete pessoas por lavagem de dinheiro em esquema ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os indiciados estão Deolane Bezerra; Everton de Souza, apontado como operador financeiro; o irmão de Marcola, Alejandro Camacho; dois sobrinhos dele, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho; além do líder da facção, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. A operação apura crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada e contas de terceiros, usadas para ocultar a origem ilícita dos recursos.

Valores rastreados e apreensões

De acordo com a polícia, o relatório do Lab-LD identificou movimentações financeiras dos investigados desde 2019, apontando incompatibilidade entre os valores movimentados e a capacidade econômica declarada. As investigações levaram ao bloqueio de mais de R$ 327 milhões e à apreensão de 17 veículos de luxo e quatro imóveis ligados aos suspeitos.

Justiça torna réus Deolane Bezerra e Marcola

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou ré a advogada e influenciadora Deolane Bezerra. Além dela, Marcola e membros de sua família também passaram à condição de réus. Os crimes apurados incluem suspeitas de organização criminosa e lavagem de capitais.

Defesa de Deolane Bezerra

A defesa de Deolane Bezerra, patrocinada pelos advogados Aury Lopes Jr., Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes, informou que tomou ciência do recebimento da denúncia, ressaltando que o ato é inicial e não implica culpa. Em nota, os advogados reiteram a inocência da influenciadora, a origem lícita de seus rendimentos e a inexistência de vínculos com o crime organizado, afirmando que utilizarão todas as provas para esclarecer o caso.

Defesa de Marcola e familiares

O advogado Bruno Ferullo, que defende Marco Willians Herbas Camacho, Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, contestou a denúncia. Em nota, a defesa destaca que Marcola e Alejandro estão custodiados em presídio federal de segurança máxima desde fevereiro de 2019, com severas restrições de comunicação, o que tornaria inviável qualquer participação nos fatos. Leonardo e Paloma refutam integralmente as imputações, argumentando que o vínculo familiar não pode ser confundido com participação criminosa. A defesa afirmou que apresentará esclarecimentos e provas sobre a origem e regularidade das operações financeiras mencionadas na denúncia, confiando na improcedência das acusações ao final da instrução processual.

“A defesa de Deolane Bezerra, patrocinada pelos advogados Aury Lopes Jr., Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes, tomou ciência do recebimento da denúncia oferecida pelo Ministério Público, ato processual inicial que não representa qualquer conclusão acerca dos fatos imputados. A defesa afirma que utilizará todos os meios de prova necessários ao esclarecimento do caso, afastando qualquer alegação de ilicitude ou conduta criminosa, uma vez que sua cliente é inocente, seus rendimentos possuem origem lícita e regularmente declarada e Deolane não possui qualquer vínculo com o crime organizado.”
“Bruno Ferullo, advogado de Marco Willians Herbas Camacho, Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, vem a público informar que a denúncia oferecida em desfavor de seus constituintes no contexto da denominada Operação Vérnix, na qual se imputou a suposta prática dos delitos previstos no artigo 2.º da Lei n.º 12.850/2013 (organização criminosa) e no artigo 1.º da Lei n.º 9.613/1998 (lavagem de capitais), foi recebida pelo Juízo da 3ª Vara da Comarca de Presidente Venceslau no dia 16 de junho. A Defesa reitera que Marco Willians Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior encontram-se custodiados em estabelecimento penal federal de segurança máxima desde fevereiro de 2019, submetidos a severas restrições de contato e comunicação, o que, por si só, torna inviável qualquer participação nos fatos investigados e evidencia o equívoco da acusação. Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho também refutam integralmente as imputações formuladas. A Defesa destaca que o mero vínculo familiar com os demais denunciados não pode ser confundido com participação criminosa, sendo inaceitável que a simples proximidade afetiva sirva de fundamento para uma acusação desta magnitude. Quanto aos elementos de natureza patrimonial e financeira mencionados na denúncia, a Defesa esclarece que eles serão devidamente contextualizados no decorrer da instrução processual, oportunidade em que serão apresentados os esclarecimentos e as provas pertinentes acerca da origem e da regularidade das operações apontadas pela acusação. A Defesa, diante da acusação apresentada, adotará todas as medidas processuais cabíveis para demonstrar a fragilidade da narrativa acusatória e a improcedência das imputações atribuídas aos seus constituintes, confiando que, ao final da regular instrução processual, a verdade dos fatos será devidamente reconhecida pelo Poder Judiciário.”