A Polícia Civil do Distrito Federal instaurou inquérito para apurar as circunstâncias em que uma pistola Glock de 9mm, registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi apreendida com um militar durante uma blitz em Taguatinga, região administrativa do DF. O fato ocorreu por volta das 23h30 da última segunda-feira (15), e a abertura do inquérito foi comunicada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (17).
Detalhes da abordagem
Durante a blitz, o sargento da Polícia Militar do DF Davi Evangelista Alves conduziu à delegacia o sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho. Na abordagem, o militar afirmou integrar o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e trabalhar para Bolsonaro, alegando portar a arma em razão de sua função pública, o que lhe permitiria o porte. No entanto, não apresentou o registro do armamento, considerado irregularidade pelo policial responsável.

O agente verificou que Estácio era, de fato, servidor do GSI e que o veículo utilizado era oficial da Presidência da República. Segundo o boletim de ocorrência, ao constatar a ausência do registro da arma, o policial voltou a questionar o militar sobre a propriedade do item, momento em que Estácio respondeu que a pistola pertencia ao ex-presidente.
Já na delegacia, o sargento afirmou que recebeu o armamento em 15 de junho para reparar o percussor, após a identificação de uma pane. Disse que, concluído o serviço, a arma seria devolvida no dia seguinte. Após prestar depoimento, foi liberado.

Manifestação da defesa de Bolsonaro
Em manifestação enviada a Moraes, relator da execução penal de Bolsonaro, os advogados do ex-presidente afirmaram que, embora ele possuísse regularmente o armamento, “as medicações psiquiátricas que vinham sendo administradas” a ele, “capazes de afetar sua cognição — e que, inclusive, foram determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica —, levaram sua equipe de segurança, sem seu conhecimento prévio, a retirar o percussor da arma, tornando-a inoperante”.
A defesa sustenta que Bolsonaro entregou a arma a Estácio apenas para manutenção. “A entrega do armamento teve por única finalidade buscar auxílio na identificação da falha e a realização da necessária manutenção”, afirmaram os advogados. Ressaltaram ainda que, após a condenação do ex-presidente, não houve determinação judicial para entrega de armas, o que, segundo eles, afastaria qualquer “situação irregular” no porte do armamento.
Situação judicial de Bolsonaro
Bolsonaro cumpre atualmente prisão domiciliar temporária, cujo prazo termina neste mês. Cabe a Moraes avaliar a conduta do ex-presidente antes de decidir se mantém ou não o benefício. A investigação sobre a apreensão da arma poderá influenciar essa análise.