Na madrugada de 3 de dezembro de 2025, o estudante polaco-britânico Henry Nowak, de 18 anos, voltava a pé de uma saída com o time de futebol da Universidade de Southampton quando encontrou Vickrum Digwa, um sikh de 23 anos que portava duas facas. Após uma discussão verbal, Digwa esfaqueou Nowak cinco vezes — duas nas costas das pernas enquanto a vítima tentava fugir, uma no rosto e uma no peito, que foi fatal. Nowak escalou uma cerca deixando um rastro de sangue e pediu socorro. A mãe de Digwa chegou antes da polícia e fez desaparecer a arma do crime, que foi encontrada depois na casa da família junto com outras 20 facas e espadas sikhs. Digwa acusou Nowak de ter proferido insultos racistas e derrubado seu turbante. O tribunal, em 28 de maio de 2026, condenou Digwa por assassinato e rejeitou as acusações de racismo como "mentiras torpes e fabricadas", segundo a acusação.
Ao chegar ao local, a polícia de Hampshire acreditou na versão de Digwa e algemou Nowak, que estava deitado no chão sangrando. Nowak disse aos policiais que havia sido ferido por faca, mas eles responderam que não era visível devido à escuridão e ao frio. Suas últimas palavras foram: "Por favor, irmão, não consigo respirar". Quando ele desabou, os policiais retiraram as algemas e tentaram reanimá-lo, mas ele morreu às 0h37.
O caso gerou protestos em Southampton. Na noite de 2 de junho de 2026, mais de mil pessoas se reuniram em frente à Delegacia Central de Southampton exigindo responsabilização, com gritos de "vergonha". A polícia de choque confrontou manifestantes no bairro de Portswood, onde pedras foram atiradas e lixeiras incendiadas. A multidão gritava "I can't breathe" — as últimas palavras de Nowak, ecoando o slogan do movimento Black Lives Matter.
Analistas apontam que a polícia britânica pode ter agido com parcialidade por medo de ser acusada de racismo. Andrew Tettenborn, no The Spectator, afirmou que a polícia britânica tem evidências anedóticas de que não policia de forma imparcial, e o caso Nowak demonstra que essa parcialidade pode ser mortal. Brendan O'Neill, na Spiked, escreveu que o Estado virou os olhos para estupros de jovens vulneráveis por gangues de maioria muçulmana por medo de ser considerado "islamofóbico" — a mesma cegueira que levou policiais a verem num rapaz esfaqueado um tirano e no esfaqueador uma vítima. David Shipley, também no The Spectator, apontou que é bizarro permitir que um único grupo etnorreligioso carregue armas letais em público, privilégio que nenhum cidadão britânico comum teria, mas que a kirpan sikh usufrui por exceção legal.
O colunista Flávio Gordon, doutor em Antropologia pela UFRJ, argumenta que o caso ilustra a "tirania da culpa", conceito do filósofo Pascal Bruckner, em que elites ocidentais têm uma compulsão à autoflagelação e à culpa civilizacional infinita. Segundo Gordon, a raiz intelectual dessa deformação está no livro "Orientalismo" (1978), de Edward Said, que convenceu a intelligentsia europeia de que qualquer olhar ocidental sobre o Oriente é contaminado pelo preconceito imperialista. A consequência prática, afirma, foi invalidar preventivamente críticas a culturas não ocidentais e reações de autodefesa do europeu autóctone.
Gordon observa que Henry Nowak era polaco-britânico — imigrante que não aparece nas estatísticas de ódio racial e não motiva genuflexões de primeiros-ministros. Se fosse negro e tivesse sido algemado enquanto agonizava, haveria protestos em escala nacional. Mas Nowak era branco, polaco e acusado — falsamente — de racismo. "As algemas, portanto, eram razoáveis", ironiza.
Com informações de Gazeta do Povo.