A Polícia Civil de Santa Catarina identificou um esquema de compra de votos que utilizava cocaína como moeda de troca para beneficiar o ex-vereador Sadi Vieira (PP), de Timbé do Sul, no sul do estado. De acordo com a investigação, eleitores enviavam fotos do título de eleitor e, em contrapartida, recebiam porções da droga avaliadas em aproximadamente R$ 50, apelidada pelos envolvidos de "moeda branca".
O caso veio à tona em reportagem da GloboNews sobre a infiltração do crime organizado na política. A apuração teve início entre 2021 e 2022, após a prisão em flagrante do traficante Claudiomir da Silva. No celular apreendido, os investigadores encontraram conversas que detalhavam a negociação de votos.
Segundo a Polícia Civil, as mensagens mostravam pedidos de fotos dos títulos eleitorais e a promessa de pagamento por voto. Em depoimento, eleitores confirmaram ter enviado os documentos e recebido porções de cocaína antes da votação.
A investigação apontou que Sadi Vieira tinha conhecimento do esquema. O cruzamento de dados e mensagens entre o político e o traficante indicou, conforme a polícia, que os dois combinavam a compra de votos e faziam a contabilidade do apoio obtido.
"Foi a primeira vez, em 15 anos como delegado de polícia, que nós conseguimos verificar uma compra de voto com cocaína, com droga", afirmou o delegado Lucas Fernandes da Rosa.
Sadi Vieira foi eleito vereador, chegou a presidir a Câmara Municipal de Timbé do Sul e acabou condenado por corrupção eleitoral em 2024, no último mês de seu mandato. A decisão tratou a oferta de droga como vantagem indevida em troca de voto.
Com informações de Diário do Centro do Mundo.