A pressa do Palácio do Planalto em cumprir a promessa de reduzir a fila do INSS até setembro abriu um cabo de guerra silencioso na Esplanada.
A orientação que circula nos bastidores é clara: o órgão comandado por Ana Cristina Viana Silveira deve ser preservado de cortes. O argumento político é que, sem recursos para bancar bônus de produtividade e horas extras de peritos e analistas, o estoque de processos volta a crescer e compromete uma das principais vitrines sociais do governo.
Na equipe econômica, porém, o movimento é acompanhado com apreensão. Técnicos da Fazenda e do Planejamento veem um efeito colateral direto para o arcabouço fiscal: cada processo liberado para limpar a fila pode significar um novo benefício permanente na folha da Previdência.
Na prática, a tentativa de resolver o problema administrativo no curto prazo pode ampliar a despesa obrigatória que mais pressiona o Orçamento. O governo ganha um dividendo político imediato, mas deixa menos espaço para investimentos e outras despesas discricionárias. Na burocracia federal, o cobertor segue curto, mas a prioridade tem título de eleitor.
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