O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que ainda há possibilidade de negociar com a administração de Donald Trump para impedir a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Nesta semana, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu duas investigações comerciais contra o Brasil e recomendou sobretaxas.

De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto ouvidos pelo Metrópoles, apesar do desconforto gerado pelas medidas, o governo brasileiro mantém a expectativa de que conversas com autoridades estadunidenses possam evitar a entrada em vigor de pelo menos uma das tarifas.

A principal aposta no curto prazo é uma videoconferência entre os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) com Jamieson Greer, chefe do USTR. O encontro deve tratar da proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, mas a data ainda não foi confirmada.

Cenários distintos para as duas sobretaxas

O governo trabalha com cenários diferentes para cada uma das tarifas. A avaliação é que há mais margem para negociar a taxa de 25%, por ser uma medida direcionada exclusivamente ao Brasil. Já a tarifa de 12,5%, proposta contra 59 países e a União Europeia, é considerada mais difícil de reverter.

As duas investigações foram conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Na primeira, o USTR propôs a tarifa de 25% sob a alegação de que o Brasil adota práticas consideradas "irrazoáveis" ao comércio americano. O relatório cita pontos como o Pix, tarifas vistas como desleais, falhas no combate à corrupção, desmatamento e acesso ao mercado de etanol.

Na segunda investigação, o órgão sugeriu tarifa de 12,5% contra países que, segundo Washington, teriam falhas na proibição e fiscalização da comercialização de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Para auxiliares de Lula, essa medida foi "feita para não ser revertida", porque atinge também aliados dos Estados Unidos.

Mesmo assim, integrantes do governo avaliam que a tarifa de 12,5% pode ser usada como argumento para negociar a taxa mais alta. A lógica é tentar evitar que o Brasil seja submetido a duas cobranças simultâneas sobre seus produtos.

Relação entre Lula e Trump e próximos passos

O Planalto também considera que a relação entre Lula e Trump segue preservada, mesmo após o anúncio das tarifas e a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Casa Branca, em 26 de maio. Os dois presidentes estarão na cúpula do G7, marcada para os dias 15 a 17 de junho, na França, mas ainda não há pedido formal de reunião.

Auxiliares de Lula afirmam que um encontro só faria sentido se houver avanço nas negociações técnicas. O prazo do grupo de trabalho criado após a reunião entre Lula e Trump na Casa Branca termina neste domingo (7), mas as equipes devem seguir em contato até 15 de julho, data prevista para a aplicação das tarifas caso não haja acordo.

O governo brasileiro diz estar aberto a discutir alternativas, desde que a iniciativa parta dos Estados Unidos. Nos bastidores, a avaliação é que Washington ainda não deixou claro o que busca nas negociações. Um ponto, porém, está fora da mesa: qualquer concessão envolvendo o Pix.

Com informações de Diário do Centro do Mundo.