O Partido Liberal (PL) registrou despesas de aproximadamente R$ 484 mil entre janeiro e abril de 2026 para remunerar integrantes do círculo político do ex-presidente Jair Bolsonaro, conforme prestação de contas da legenda. Os pagamentos incluem familiares, ex-ministros, ex-assessores do governo federal e dirigentes partidários. Os valores foram divulgados pelo jornal O GLOBO.
Remunerações a familiares e aliados
A maior remuneração identificada foi da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher, que recebeu R$ 101,5 mil em três parcelas mensais de R$ 33,8 mil. O ex-vereador Carlos Bolsonaro, contratado pelo partido em dezembro de 2025, recebeu R$ 83,5 mil por "serviços técnico-profissionais". Ele é apontado como pré-candidato ao Senado por Santa Catarina.

Ex-integrantes do governo na folha do PL
O coronel André Costa, ex-secretário especial de Comunicação do governo Bolsonaro, recebeu R$ 66,1 mil. O ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga recebeu R$ 65,9 mil e afirmou que seu trabalho no partido está ligado a atividades na área da saúde. Tércio Arnaud Thomaz, ex-assessor especial da Presidência, recebeu R$ 44,8 mil, enquanto sua esposa, Bianca Arnaud, recebeu R$ 23,3 mil.
Ex-assessoras e ex-governador
Adriana Mendes Fortes, que trabalhou com o general Walter Braga Netto, recebeu R$ 44,8 mil em cinco pagamentos. Carolina Gaia e Silva, ex-assessora do general Luiz Eduardo Ramos, recebeu R$ 26 mil. O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, que atua na interlocução com prefeitos, recebe salário líquido de R$ 27,8 mil (R$ 38 mil brutos). Seu contrato foi firmado após aparecer em investigações da Polícia Federal envolvendo o empresário Daniel Vorcaro.
Origem dos recursos
Os pagamentos são custeados pelo Fundo Partidário, composto por recursos públicos e privados. O PL, maior bancada da Câmara, recebeu R$ 193 milhões em 2025. A prestação de contas pode ser complementada até junho do ano seguinte, conforme a legislação eleitoral.