O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou uma ofensiva comercial contra o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central do Brasil. A ação, segundo analistas, não se limita a uma disputa comercial, mas reflete uma preocupação geopolítica com o avanço de alternativas financeiras do Sul Global, como o BRICS Pay.

Desde seu lançamento, em novembro de 2020, o Pix transformou a movimentação financeira no Brasil. As transferências instantâneas, gratuitas para pessoas físicas e disponíveis 24 horas, tornaram-se um fenômeno econômico e social. Dados do Banco Central mostram que o sistema movimentou cerca de R$ 5,2 trilhões em 2021, R$ 10,9 trilhões em 2022, R$ 17,2 trilhões em 2023 e R$ 26,4 trilhões em 2024. Nos primeiros meses de 2026, o volume acumulado já ultrapassa R$ 90 trilhões.

O sucesso do Pix impactou diretamente o setor de cartões de crédito e débito. Enquanto as taxas para lojistas no Pix são de cerca de 0,22%, as bandeiras internacionais cobram entre 1% e 2,2%. Estima-se que, entre 2021 e 2024, as empresas como Visa e Mastercard deixaram de arrecadar entre R$ 60 bilhões e R$ 132 bilhões em receitas potenciais, valor que pode chegar a R$ 220 bilhões até 2026.

Foi nesse contexto que a administração Trump abriu uma investigação comercial contra o Brasil, acusando o Pix de ser um “campeão nacional” favorecido pelo Estado. Críticos apontam que o argumento é frágil, já que o Pix é uma infraestrutura pública, não uma empresa privada. Para o jornalista Breno Altman, em entrevista ao Brasil 247, a ofensiva faz parte de uma estratégia maior: “Trump quer subjugar a América Latina”, afirmou, citando a criação de uma nova base jurídica para sanções e intervenções.

O pano de fundo da disputa é o BRICS Pay, sistema de pagamentos internacionais em desenvolvimento pelos países do bloco. A proposta prevê a interoperabilidade entre sistemas nacionais, como o Pix brasileiro, o UPI indiano e plataformas chinesas e russas, reduzindo a dependência do dólar e das estruturas financeiras ocidentais. Embora ainda não esteja plenamente operacional, o BRICS Pay já conta com pilotos e grupos de trabalho.

Historicamente, os Estados Unidos tratam infraestruturas estratégicas como questões de segurança nacional — como fizeram com petróleo, semicondutores e internet. Agora, o alvo é uma tecnologia brasileira. “O que ameaça um império não é uma arma, é uma ideia que funciona”, resume o texto original. A guerra contra o Pix, portanto, pode ser vista como uma reação ao potencial do BRICS Pay de alterar a arquitetura financeira global.

Com informações de Revista Fórum.