Mais de 1,1 milhão de clientes da Cemig ficaram sem energia elétrica em Minas Gerais durante o ano de 2025 por causa de ocorrências envolvendo pipas na rede elétrica. O número representa um aumento de 45,7% em comparação com 2024, quando 765 mil unidades consumidoras foram afetadas. No mesmo período, as interrupções provocadas por essa prática cresceram 31,5%, passando de 2.664 para 3.503 ocorrências.

Números de 2026 indicam continuidade do problema

Nos primeiros meses de 2026, a concessionária já registrou 879 ocorrências relacionadas a pipas, que interromperam o fornecimento para mais de 205 mil consumidores em todo o estado. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foram 403 ocorrências, afetando 108.137 clientes. Em 2025, a mesma região havia registrado 667,5 mil clientes impactados.

Riscos elétricos e orientações da Cemig

Jorge Magno, engenheiro do Centro de Operações da Cemig, ressalta que a brincadeira deve ser realizada apenas em locais abertos e afastados da rede elétrica. “Hoje, a presença da rede elétrica nas áreas urbanas torna extremamente perigoso empinar pipas próximo aos cabos de energia. Dependendo da situação, a pessoa pode ficar exposta a tensões de até 13,8 mil volts”, afirma.

O especialista alerta que jamais se deve tentar recuperar uma pipa presa em postes, transformadores ou fios de energia. “Muitas pessoas utilizam bambus, vergalhões, arames ou outros objetos metálicos para tentar retirar a pipa da rede. Essa atitude pode provocar acidentes graves, inclusive fatais. Caso a pipa fique presa, a orientação é abandoná-la e nunca se aproximar da rede elétrica”, reforça.

Cerol e linha chilena: proibidos e perigosos

Além dos prejuízos ao fornecimento, o uso de cerol e linha chilena representa ameaça a quem participa da brincadeira e à população. Quando em contato com a rede elétrica, essas linhas podem causar curtos-circuitos, rompimento de cabos e desligamentos de grandes áreas. Em Minas Gerais, a utilização e comercialização desses materiais são proibidas pela Lei Estadual nº 23.515/2019, que prevê multas de aproximadamente R$ 5,789 mil a R$ 289,45 mil em caso de reincidência.

Jorge Magno destaca que, além da capacidade de corte, o cerol pode transformar a linha em um material condutor quando em contato com a rede. “O uso de cerol e linha chilena potencializa o risco de acidentes. Além de causar interrupções no fornecimento de energia, esses materiais colocam em risco ciclistas, motociclistas, pedestres e os próprios usuários. É uma prática que deve ser evitada em qualquer situação”, completa.

Recomendações para prática segura

A Cemig orienta que a soltura de pipas seja feita apenas em locais amplos, afastados da rede elétrica, de rodovias e de áreas com circulação de veículos. Também é importante evitar dias de chuva ou com incidência de raios.