O procurador-geral da República, Paulo Gonet, rejeitou nesta segunda-feira (15 de junho de 2026) a proposta de delação premiada apresentada pelo fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A decisão segue o entendimento da Polícia Federal, que já havia recusado o acordo na última quinta-feira (11 de junho). Segundo a equipe de Gonet, Vorcaro não trouxe 'provas robustas' e se limitou a relatos de 'ouvir dizer'.
Outro fator determinante para a rejeição foi a falta de compromisso do investigado em recuperar valores obtidos por meio de possíveis fraudes contra o sistema financeiro nacional. De acordo com os investigadores, o rombo causado ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) supera a cifra de R$ 50 bilhões.
Proposta de delação e influência política
Na proposta de delação, Vorcaro detalhou como teria utilizado sua influência política para fechar acordos bilionários com fundos de previdência de servidores públicos estaduais. Segundo o documento, sob comando político, esses fundos aportavam recursos da aposentadoria dos cotistas em fundos considerados 'podres' do Banco Master.
Operação Compliance Zero
As investigações sobre as fraudes no Banco Master estão inseridas no âmbito da operação Compliance Zero, autorizada inicialmente pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. A primeira fase resultou na prisão temporária dos principais executivos ligados à instituição, que foi liquidada pelo Banco Central. Ainda em novembro, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) autorizou o uso de tornozeleira eletrônica e o retorno dos investigados para casa.
Em dezembro de 2025, o caso passou a tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Dias Toffoli. Ele autorizou a segunda fase em janeiro de 2026, mas deixou a relatoria em 12 de fevereiro, sendo sucedido pelo ministro André Mendonça. Vorcaro foi preso novamente no início de março e atualmente está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Após entregar a proposta de delação, a análise por parte do ministro do STF deve levar semanas.
Fases da operação
- 1ª fase (18 de novembro de 2025): Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, um dia antes da deflagração da operação, quando tentava deixar o Brasil. Foram cumpridos 7 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em quatro estados e no Distrito Federal. O ex-banqueiro foi solto em 29 de novembro.
- 2ª fase (14 de janeiro de 2026): A PF realizou buscas em endereços ligados a Vorcaro, apreendendo carros, relógios e dinheiro. Os valores bloqueados ou sequestrados superaram R$ 5,7 bilhões. O objetivo era apurar o uso de fundos fraudulentos para maquiar os caixas do Master.
- 3ª fase (4 de março de 2026): Vorcaro voltou a ser preso. Segundo a PF, ele mantinha um grupo que intimidava adversários e pagava propina a dois funcionários do Banco Central. No mesmo dia, um homem que trabalhava para o fundador do Master tentou suicídio sob custódia da PF e morreu em 6 de março.
- 4ª fase (16 de abril de 2026): A operação prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, investigado por suspeita de permitir operações sem lastro com o Master. De acordo com a PF, Costa recebeu propina de Vorcaro em imóveis de luxo.
- 5ª fase (7 de maio de 2026): O senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo. A PF cita pagamento de propina de Vorcaro ao congressista, que nega. O relator do caso no STF, ministro André Mendonça, afirmou que a relação entre o político e o ex-banqueiro 'extrapola a amizade'. Houve bloqueio de R$ 18,85 milhões.
- 6ª fase (14 de maio de 2026): Foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O pai de Vorcaro foi preso, apontado pela PF como articulador do grupo de intimidação e espionagem do ex-banqueiro.
- 7ª fase (19 de maio de 2026): A PF deflagrou operação para apurar vazamento de informações sigilosas ligadas ao Master. Mendonça determinou o afastamento de um perito da corporação.
- 8ª fase (26 de maio de 2026): O ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) foi alvo de mandados de busca e apreensão. A ação apura suspeitas de crimes envolvendo o Master e o Rioprevidência. O total movimentado é de R$ 3 bilhões, segundo a PF.