A Polícia Federal descobriu que Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, planejou uma ação criminosa conhecida como 'flaking' contra Ronald Fred Seikaly, ex-jogador da NBA e DJ. O método consiste em plantar drogas e simular uma situação de flagrante policial. De acordo com diálogos interceptados pela PF, Vorcaro ofereceu R$ 10 milhões para executar a vingança contra Seikaly, que teve um relacionamento com Martha Graeff, então namorada do banqueiro. O plano poderia ser realizado em Miami, onde Seikaly morava, ou no Brasil, para onde o DJ seria atraído com uma apresentação.
O plano 'flaking'
Nas conversas capturadas, Vorcaro orienta Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de 'Sicário', a acionar um contato na Interpol para viabilizar a tarefa. A PF também identificou que Vorcaro utilizava uma milícia privada chamada 'Turma' para ações de intimidação e perseguição. O caso remete ao episódio do sargento Raul Iglesias, de Miami, que entre 2009 e 2012 plantava drogas em suspeitos para justificar prisões. Iglesias foi condenado em 2013 por conspiração, distribuição de narcóticos e obstrução de justiça.

A 'Turma' e outros crimes
Além do flaking, a investigação da PF revelou que Vorcaro ordenava perseguições a ex-funcionários e críticos, obtendo endereços e monitorando rotinas. O banqueiro também usava contatos policiais para acessar ilegalmente bancos de dados do Ministério Público Federal e da própria Polícia Federal. A 'Turma' ainda planejou emboscadas violentas, como a que visava o jornalista Lauro Jardim, disfarçadas de crimes comuns.
Conexões políticas
As investigações também expuseram a relação próxima entre Vorcaro e políticos bolsonaristas. O senador Ciro Nogueira recebia mesadas milionárias e mimos, enquanto Flávio Bolsonaro mantinha contato fraterno com o banqueiro para produção de biografias do ex-presidente Jair Bolsonaro e sustento de Eduardo Bolsonaro, foragido. O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, também aparece nos registros de promiscuidade entre o banqueiro e políticos, reforçando a ligação de bolsonaristas com práticas milicianas.