A Operação Compliance Zero avalia solicitar a inclusão de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, na chamada difusão prateada da Interpol. O objetivo é rastrear e, se possível, bloquear transferências de recursos do investigado para o exterior. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão nesta sexta-feira (5).

Vorcaro é o principal alvo da operação, que apura fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master. A difusão prateada é um mecanismo da Interpol — organização que conecta forças policiais de diversos países — criado especificamente para localizar ativos de origem ilícita.

A estratégia da Polícia Federal, que depende de concordância da Procuradoria-Geral da República (PGR), de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) e de endosso das autoridades americanas, é seguir o rastro de valores que Vorcaro teria enviado aos Estados Unidos. Esses recursos podem ter sido usados para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo as investigações, Vorcaro teria remetido cerca de R$ 60 milhões a um fundo nos EUA controlado por um advogado com ligações a Eduardo Bolsonaro, que reside no país.

Há aproximadamente três meses, Vorcaro negocia os termos de uma delação premiada na Operação Compliance Zero. A primeira tentativa não avançou. De acordo com o Estadão, ele resiste a endurecer sua proposta e, a interlocutores, afirma que fez repasses a políticos por amizade, sem exigir contrapartidas.

Nas remessas aos EUA para bancar o filme, o ex-dono do Master teve como intermediário o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência.

O diretor-geral da Polícia Federal, delegado Andrei Rodrigues, considera importante instaurar um inquérito específico para apurar se o dinheiro enviado por Vorcaro aos Estados Unidos foi de fato usado também para custear o filme sobre Bolsonaro.

A inclusão de Vorcaro na difusão prateada ainda depende de manifestação da PGR e de decisão do STF sobre qual ministro será o relator da medida. O caso pode ficar com André Mendonça, relator da Compliance Zero, ou com Alexandre de Moraes, relator das investigações que envolvem Eduardo Bolsonaro.

Com informações de Money Times.