A Polícia Federal (PF) pretende solicitar às autoridades dos Estados Unidos a quebra de sigilo do fundo que recebeu recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sob a justificativa de financiar o filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com apuração da Folha, uma das hipóteses investigadas é que parte desse dinheiro tenha sido usada para custear despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos EUA, onde ele reside desde fevereiro de 2025.

Recursos da empresa Entre Investimentos e Participações, ligada ao dono do Banco Master, teriam sido direcionados ao fundo Havengate Development Fund, no Texas, para o suporte ao filme. O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado com vínculos com Eduardo Bolsonaro. Para que a quebra de sigilo ocorra, é necessária cooperação das autoridades locais com a PF e autorização da Justiça dos Estados Unidos.

A PF também planeja utilizar a Difusão Prata da Interpol, que visa identificar, localizar e reter patrimônio de investigados, diferente da Difusão Vermelha, focada em foragidos. O Brasil é um dos 53 países, entre os 196 membros da Interpol, que aderiram à iniciativa.

Em entrevista à GloboNews na terça-feira (2), o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou ser necessário instaurar um inquérito para apurar o envio de recursos de Vorcaro aos EUA. Ele disse que a PF analisou representações e encaminhou uma delas à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação sobre foro e relatoria. Segundo Rodrigues, a área técnica da PF entende que o caso pode seguir três caminhos: ser agregado ao inquérito do Master, sob relatoria de André Mendonça no STF; ficar sob relatoria de Alexandre de Moraes, que investiga ações de Eduardo Bolsonaro nos EUA; ou ser distribuído por sorteio a outro ministro do Supremo.

No último dia 26, Moraes pediu que a PGR se manifeste sobre a inclusão de Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro (PL) no inquérito sobre Eduardo. O pedido de quebra de sigilo do fundo será feito após eventual autorização do STF para abertura de novo inquérito.

A PF busca esclarecer se os recursos, enviados a pedido do dono do Master, foram integralmente usados no filme ou se parte deles custeou a estada de Eduardo nos EUA, para onde ele se mudou alegando perseguição de Alexandre de Moraes. Eduardo é réu no STF por coação, sob relatoria de Moraes.

O fundo americano foi criado em dezembro de 2020. No Instagram do escritório de Calixto, há uma foto de 2023 em que ele aparece abraçado a Eduardo. Calixto se apresenta como especialista em imigração, com mais de 20 anos de experiência. Quando o financiamento foi revelado pelo site Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro negou, em nota, que recursos tenham sido destinados a Eduardo, afirmando que os aportes foram para um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos EUA. Calixto não se manifestou.

Com informações de Folha — Poder.