A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18) a nona fase da operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master. O alvo desta etapa é o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, e o empresário Augusto Lima, ex-sócio do dono do banco, Daniel Vorcaro. As investigações apontam suspeitas de que Wagner teria recebido pagamentos ligados ao Master por meio de empresa da esposa de seu enteado, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões. Agentes encontraram US$ 55 mil e 33 mil euros (cerca de R$ 471 mil) em endereços ligados ao senador.

Histórico da operação

Deflagrada pela primeira vez em novembro de 2025, a Compliance Zero investiga um esquema que usou estruturas do mercado de capitais para desviar recursos e mascarar prejuízos do Banco Master. As apurações começaram em 2024, após requisição do Ministério Público Federal. Os crimes investigados incluem gestão fraudulenta, organização criminosa, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro e corrupção passiva e ativa.

Primeiras fases

Na noite de 17 de novembro de 2025, Daniel Vorcaro foi preso ao tentar embarcar para o exterior em São Paulo; seu sócio Augusto Lima também foi detido. Ambos foram soltos em 28 de novembro por decisão judicial. O jato do ex-banqueiro, avaliado em R$ 200 milhões, foi apreendido, além de R$ 2 milhões em dinheiro, relógios, joias e obras de arte. A PF identificou que Vorcaro tinha ao menos três planos de voo diferentes antes da prisão.

Segunda fase (14 de janeiro de 2026)

A PF mirou o uso de fundos de investimento para compra de ativos podres, como certificados de ações do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina). O esquema começava com empréstimos do Master a empresas, que aplicavam em fundos da gestora Reag.

Terceira fase (4 de março)

Vorcaro foi preso novamente, junto com dois servidores do Banco Central, Fabiano Zettel (cunhado de Vorcaro), um policial aposentado e outros. No celular do ex-banqueiro foram encontradas mensagens sobre a intenção de forjar um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, como forma de intimidação. A PF apontou que Vorcaro mantinha uma milícia privada chamada “A Turma” para coagir desafetos.

Quarta fase (abril)

O ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), Paulo Henrique Costa, foi preso por seu papel na tentativa de compra do Master pelo BRB e na compra de carteiras oferecidas pelo banco. Ele é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Quinta fase (maio)

O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do PP, foi alvo sob a acusação de receber mesada de Vorcaro. O primo do dono do Master, Felipe Vorcaro, foi preso temporariamente. Documentos indicam que Nogueira teria recebido ao menos R$ 6 milhões em mesadas entre 2024 e 2025.

Sexta e sétima fases (maio)

Na sexta fase, foram alvos hackers do grupo “Os Meninos”, que prestavam serviços à “A Turma”. Eles recebiam dinheiro para derrubar perfis de redes sociais críticos a Vorcaro e ao Master, além de invadir dispositivos de opositores. A PF os considerou o braço digital da organização. Na sétima fase, foi apurado suposto vazamento de informações sigilosas; um policial federal foi afastado.

Oitava fase (final de maio)

A operação mirou aplicações no Master feitas por fundos de previdência de servidores. A PF cumpriu mandados contra o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), investigando aplicações de mais de R$ 3 bilhões do Rioprevidência no Banco Master.

Nona fase e desdobramentos

Na nona fase, a PF apura pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada a Augusto Lima ao “núcleo familiar” de Jaques Wagner. As investigações indicam que o esquema envolvia emissão de títulos de crédito falsos e uma “ciranda financeira” para ocultar desvios. O BRB pagou ao Master R$ 12,2 bilhões em operações desse tipo, segundo a PF.