O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal nesta quinta-feira (18), que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes envolvendo o Banco Master. A operação provocou reações imediatas de parlamentares, com manifestações de apoio e críticas ao petista.
Reações de apoio e críticas
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), declarou solidariedade a Wagner e criticou o que chamou de condenações antecipadas. “Meu apoio, a minha solidariedade integral a um colega senador da República, e eu tenho a convicção de que, no decorrer do processo, as verdades do senador Jaques Wagner virão à tona”, afirmou. Alcolumbre reclamou que políticos são tratados como culpados assim que viram alvos de operações, citando que isso ocorre com parlamentares de diferentes partidos.

Em contrapartida, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, atacou o PT durante evento de pré-campanha. “O PT da Bahia acaba de ser implodido pela Polícia Federal com operação contra o líder do governo do PT no Senado Federal, Jaques Wagner. Como nós sempre dizemos, o cerne de todo esse problema [do Banco Master] era o PT da Bahia e agora começa a vir à tona”, disse. Flávio também afirmou que o dia era “péssimo” para facções criminosas e para o PT.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, emitiu nota declarando confiança em Wagner: “É depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade”.

Defesa de Wagner e valores apreendidos
Em entrevista à Band, Jaques Wagner negou ter recebido valores ou atuado para beneficiar o Banco Master e disse não ter relação com o dono da instituição, Daniel Vorcaro, que está preso. Afirmou que continua como líder do governo e mantém planos de disputar a reeleição. “O presidente Lula ligou para mim para se solidarizar, dizer que mantém absoluta confiança. A gente se conhece há 48 anos”, contou.
Wagner confirmou que os US$ 55 mil e € 33,5 mil apreendidos pela PF são seus, mas negou ilegalidade. Segundo ele, os valores correspondem a diárias recebidas do Senado por viagens internacionais ou a compras de moeda no Banco do Brasil para viagens. Disse que costuma pagar contas no cartão de crédito no exterior, em vez de usar o dinheiro em espécie.

Eixos da investigação
O ministro do STF André Mendonça, relator do caso, aponta Wagner como “suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas”. A PF cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, além de medidas cautelares como proibição de contato entre investigados e suspensão de passaporte. As buscas ocorreram em endereços ligados ao senador, mas não em seu gabinete.
As autoridades investigam três eixos principais:
- Entrega de vantagens econômicas, com destaque para a compra de um apartamento em Salvador;
- Pagamentos e repasses a empresas vinculadas ao núcleo familiar de Wagner, como a BN Financeira Ltda., que teria recebido R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada a Augusto Ferreira Lima, principal interlocutor privado do senador;
- Atuação parlamentar de Wagner em temas de interesse do Banco Master, como crédito consignado, limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos e a operação de aquisição do banco pelo BRB.
A PF também investiga o uso gratuito de aeronaves vinculadas a Augusto Ferreira Lima e o recebimento de ingressos para shows nos EUA avaliados em mais de R$ 63 mil para a família de Wagner. A defesa do banqueiro Augusto Ferreira Lima não retornou contato da BBC News Brasil até o momento.