A Polícia Federal investiga o banqueiro Daniel Vorcaro e sua organização criminosa, que teria comprado políticos com mesadas milionárias. O senador Ciro Nogueira (PP) recebeu ao menos R$ 6 milhões entre 2024 e 2025, além de diárias de hotéis de luxo e viagens à Europa e aos Estados Unidos, bancadas por Vorcaro. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL) solicitou R$ 134 milhões ao banqueiro para produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, dos quais recebeu R$ 61 milhões.

A engenharia financeira da mesada a Ciro Nogueira

A PF desvendou a estrutura por trás dos repasses a Ciro Nogueira. Uma rede de empresas ligadas ao senador teria utilizado familiares, servidores públicos e até beneficiários de programas sociais para ocultar os recursos ilícitos. O dinheiro de Vorcaro entrava pela BRGD, empresa controlada por parentes do ex-banqueiro, passava pela fintech PJBank e desaguava nas empresas da família Nogueira, que misturavam os aportes ilícitos com recursos legítimos e os redistribuíam dentro do clã do senador.

Servidores públicos como laranjas

Entre os instrumentos usados para ocultar o fluxo financeiro, a PF identificou servidores públicos de baixa renda que transferiram valores incompatíveis com seus salários. Um deles, que recebia R$ 2.000 mensais, movimentou R$ 90.000 para a empresa do senador em um ano. Outro, que chegou a receber auxílio emergencial durante a pandemia, pagou R$ 143.000 à mesma empresa no período. Esses laranjas integravam uma organização que operava com sofisticação bancária e brutalidade de facção.

O pedido de Flávio Bolsonaro e a violência

Flávio Bolsonaro afirmou que não sabia de nada que desabonasse Vorcaro, mas a PF investiga o pedido de R$ 134 milhões para o filme sobre Jair Bolsonaro. Além disso, a organização de Vorcaro utilizava violência como elemento dissuasório. Em fevereiro de 2025, o banqueiro ordenou a seu homem de confiança, conhecido como Sicário, que “moesse” uma mulher, empregada de uma atriz com quem ele teve um relacionamento. O Sicário, que integrava o núcleo “A Turma”, responsável por monitorar e pressionar adversários, morreu na cela logo após ser preso durante uma operação da PF, sem ter deposto.

STF e o silêncio de Vorcaro

A situação de Vorcaro se complicou quando a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu manter presos Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro, pai e primo do banqueiro, respectivamente. Essa sinalização indica que a liberdade de Vorcaro pode estar distante. Enquanto ele se nega a entregar os nomes dos políticos aliados, seus celulares continuam sendo periciados pela PF e revelam segredos. Partidos como União Brasil, PP e PL estão preocupados com os possíveis desdobramentos.