O senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo de mandados de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira (7) em uma nova fase da operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias do Banco Master. A Polícia Federal suspeita que o parlamentar recebia propina para beneficiar a instituição financeira, com pagamentos feitos por Felipe Cançado Vorcaro, primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que já era investigado e foi preso na mesma operação.

A relação de Ciro Nogueira com o Banco Master já era conhecida. O senador se hospedou diversas vezes no hotel Fasano, de propriedade do Master, em São Paulo, a convite de Daniel Vorcaro. Quando a crise no banco se instalou, ele atuou para ajudar o amigo, conforme reportagens anteriores. Além disso, Ciro mantinha boas relações com Augusto Lima, um dos fundadores e ex-sócio do Master.

A novidade trazida pela investigação é a ligação do senador com Felipe Vorcaro, primo de Daniel. Felipe é conhecido em Belo Horizonte pela ostentação, com vida social agitada e gosto por carros importados. Ele era sócio do Voga, escritório de investimentos em Goiânia que tinha parceria com o BTG Pactual, do banqueiro André Esteves.

Indicações e projetos de lei

Ciro Nogueira foi responsável por indicar Paulo Henrique Costa para a presidência do BRB (Banco de Brasília). Costa foi preso no mês passado sob acusação de usar o banco para beneficiar o Banco Master. Em 2024, o senador apresentou um projeto de lei para aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de 250 mil para 1 milhão de reais, medida apelidada de “emenda Master” por ser considerada sob medida para o banco de Daniel Vorcaro. Durante o governo Jair Bolsonaro, Ciro também apoiou medidas que facilitaram a expansão do crédito consignado, beneficiando o Master.

Outras investigações

A defesa de Ciro nega as imputações feitas pela PF. O senador, no entanto, enfrenta outras frentes de investigação. Na operação Carbono Oculto, que apura fraudes bilionárias no setor de combustíveis, Ciro é citado em material obtido pela PF, embora não seja formalmente investigado. A revista piauí revelou que o senador manteve um grupo de WhatsApp com empresários do Piauí denunciados por adulterar combustíveis, fraudar vendas, ocultar patrimônio e lavar dinheiro em associação com Roberto Leme (Beto Louco) e Mohamad Hussein Mourad (Primo). As mensagens indicam que Ciro se encontrou com Haran Santhiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Sousa, donos da rede de postos HD, que tentavam vender parte da empresa para Beto Louco e Primo, donos da distribuidora Copape. Em um áudio, Danilo relatou ter conversado com Victor Linhares de Paiva, ex-assessor próximo a Ciro, que disse: “vamos botar o negócio pra frente que o Ciro já falou que vai ajudar a gente”.

Ciro também deixou suas digitais no mundo das bets. O senador participou como suplente da CPI que investigou crimes e irregularidades de casas de apostas até meados de 2025, mas mantinha relação próxima com um dos investigados, o empresário piauiense Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, dono do One Internet Group, que opera várias bets. A piauí revelou que, em maio de 2024, Ciro pegou carona em um jato de Fernandin para assistir a uma corrida de Fórmula 1 em Mônaco, e mais recentemente fez uma viagem ao redor do mundo com o empresário, sem postagens nas redes sociais.

Com informações de Revista Piauí.