A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18) a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes e corrupção ligado ao Banco Master. O senador Jaques Wagner (PT-BA) é um dos alvos, suspeito de ter recebido vantagens indevidas em troca de atuação política no Congresso Nacional. A autorização para a operação partiu do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Vantagens apontadas pela investigação
Segundo os autos, a PF identificou uma série de benefícios que teriam sido concedidos ao parlamentar pelo ex-banqueiro Augusto Lima, dono do Banco Pleno e apontado como aliado estratégico de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Entre as vantagens estão:

- Ingressos para show da Taylor Swift: bilhetes para a apresentação em São Paulo, em 25 de novembro de 2023, adquiridos por orientação de Augusto Lima por R$ 63.339, destinados a familiares de Wagner.
- Imóvel de luxo em Salvador: apartamento em empreendimento de alto padrão, ainda em construção, cuja compra teria sido feita pela Epítome S.A. com recursos de fundos vinculados ao Master. Wagner teria enviado dados do imóvel a Augusto Lima, que acionou terceiros para operacionalizar a aquisição.
- Viagem à Ilha da Paixão: em outubro de 2023, Augusto Lima teria colocado aeronave particular à disposição do senador e de seus familiares para um deslocamento entre Salvador e a ilha, localizada em Candeias (BA) e apontada como propriedade do banqueiro.
- Repasses de R$ 3,5 milhões: transferência bancária da empresa PKL One Participações S.A., ligada ao grupo Master, para a BN Financeira Ltda., vinculada ao núcleo familiar de Wagner. A PF destaca que a BN Financeira era uma microempresa com baixa capacidade operacional, mas recebeu valores expressivos.
Dinheiro apreendido e declarações do senador
Durante a operação, a PF apreendeu US$ 49 mil em espécie (cerca de R$ 250 mil) em um endereço em Brasília ligado ao senador. Jaques Wagner afirmou que o montante provém de diárias pagas pelo Senado em viagens ao exterior e que não há irregularidade. Ele também disse que recebeu solidariedade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um telefonema após a operação.
Relação entre Jaques Wagner e Augusto Lima
A decisão de Mendonça descreve a relação entre os dois como “antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança pessoal”, o que teria criado ambiente propício para tratativas em favor de interesses privados do Banco Master. A PF aponta que Augusto Lima atuou como “canal de interlocução” com Wagner sobre temas de interesse do banco, utilizando chamadas de voz, mensagens temporárias e comunicações de baixa rastreabilidade.
Atuação política do senador sob suspeita
Os investigadores apuram se Wagner atuou diretamente em favor de projetos de interesse do grupo financeiro. Entre as medidas mencionadas estão a chamada “Emenda Master” (PEC 65/2023, que alteraria o Fundo Garantidor de Créditos) e uma proposta para ampliar o limite do crédito consignado – setor em que o grupo atua por meio do Credcesta. Além disso, há suspeitas de que o senador tenha atuado na fiscalização e controle da potencial aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Contexto da Operação Compliance Zero
A operação investiga um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e seu presidente, Daniel Vorcaro. A primeira fase foi em novembro de 2025, após indícios de emissão de títulos sem garantias suficientes. Estima-se um prejuízo potencial de até R$ 12 bilhões. As fases seguintes incluíram suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e espionagem. Entre os alvos estão também o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). Todos os investigados negam irregularidades.