A Polícia Federal deflagrou uma nova etapa da Operação Compliance Zero, que colocou o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, como suposto beneficiário de vantagens indevidas supostamente ligadas ao Banco Master. A investigação apura se o parlamentar recebeu benefícios como um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões em Salvador, uso de jatinhos particulares e ingressos para shows internacionais. Também há indícios de repasses que totalizam R$ 3,5 milhões para empresas vinculadas à família de Wagner.
Segundo os investigadores, esses benefícios não seriam meras cortesias, mas contrapartidas por atuação política no Congresso Nacional em temas estratégicos para a instituição financeira. Entre esses temas estão propostas para ampliação do crédito consignado e mudanças em regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Além disso, o senador teria acompanhado de perto o interesse do Banco Master em ser adquirido pelo Banco de Brasília (BRB).
Envolvimento de familiares e empresário
O enteado de Jaques Wagner, Eduardo Sodré Martins, que atua como secretário de Meio Ambiente da Bahia, também é alvo da operação. Planilhas indicam pagamentos de R$ 2,3 milhões destinados a ele. Outro personagem central é o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do controlador do Banco Master. A relação entre eles teria começado em 2017, durante a privatização de uma empresa estatal de alimentos na Bahia, contexto em que surgiu o produto financeiro CredCesta.
Defesa de Wagner e reação do Planalto
Jaques Wagner nega as irregularidades. Em sua defesa, afirma que o apartamento foi uma negociação particular feita para ajudar a filha e que o dinheiro em espécie encontrado em seus endereços provém de diárias de viagens oficiais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade ao aliado. Nos bastidores do Palácio do Planalto, no entanto, auxiliares demonstram preocupação com o desgaste político e avaliam se o senador deve deixar a liderança do governo para se dedicar à defesa pessoal.
Repercussão política
Integrantes da oposição afirmam que as suspeitas não são novas e já vinham sendo ventiladas em comissões parlamentares. Para eles, a operação confirma uma conexão entre integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia e o crescimento acelerado do Banco Master. Políticos adversários utilizam o episódio para questionar a narrativa ética do governo e preveem que o escândalo ganhará força durante a campanha eleitoral de 2026.