A Polícia Federal deflagrou, na quinta-feira (18), uma nova fase da operação Compliance Zero, que cumpriu mandados de busca e apreensão contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo federal no Senado. A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso.

Alvo e contexto político

Jaques Wagner, ex-governador da Bahia, é aliado próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O PT administra o estado baiano há 20 anos, desde a vitória de Wagner em 2006. A operação ocorre às vésperas do início da campanha eleitoral.

Indícios apontados pela decisão

Na decisão que autorizou as buscas, o ministro André Mendonça afirmou que Wagner teria recebido diversos pagamentos, negociado um apartamento em Salvador e utilizado jatinhos do banqueiro João Vitor Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo Mendonça, Jaques Wagner não seria um mero destinatário passivo de informações, mas um interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado.

Relações com outros investigados

A investigação também aponta a atuação parlamentar de Wagner em pautas de interesse do Banco Master. O caso envolve ainda outras figuras políticas, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro do governo Jair Bolsonaro. Além disso, o ex-ministro Guido Mantega teria recebido milhões como consultor, e o ex-ministro Ricardo Lewandowski também é citado. Há ainda referência a contratos milionários com escritórios ligados a ministros do STF, como R$ 129 milhões com o escritório da família de Alexandre de Moraes.

Encontro entre chefe da PF e Lula

Horas antes da operação, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, esteve com o presidente Lula. Rodrigues participou, no passado, de uma degustação de uísque Macallan em Londres bancada por Vorcaro, evento que ficou conhecido como “clube do Macallan”.

Desdobramentos e reações

O PT havia tentado associar o escândalo do Banco Master ao bolsonarismo, após a divulgação de um áudio de conversa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Vorcaro. No entanto, a nova fase da operação coloca o partido no centro das investigações. A operação foi vista como um “nivelamento” entre os envolvidos, mas Flávio Bolsonaro deve evitar explorar as ligações de Vorcaro com petistas, uma vez que também possui relações com o banqueiro.