A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, contou com pessoas atuando a seu favor dentro da própria corporação. A suspeita surgiu durante a sexta fase da Operação Compliance Zero, quando agentes encontraram na casa de Henrique a impressão de uma captura de tela do Sistema Sinapse, ferramenta de inteligência de acesso restrito e exclusivo da PF.

O material apreendido mostrava uma consulta detalhada a dados pessoais de Augusto Conte, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Para os investigadores, o fato de um civil ter em mãos um registro extraído de um sistema interno da PF reforça a hipótese de que havia servidores dispostos a acessar informações sigilosas de forma irregular para atender aos interesses do grupo investigado.

Documento enviado ao STF

A PF produziu um ofício sobre o achado e o encaminhou ao ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Na terça-feira (16), Mendonça retirou o sigilo do material. No documento, os investigadores afirmam que a apreensão “corrobora a hipótese” de que Henrique Vorcaro dispunha, dentro da PF, de servidores dispostos a acessar ilegalmente os sistemas internos da corporação, funcionando como um “braço” do grupo.

Esquema de compra de silêncio

As investigações também revelaram uma estrutura de abafamento e suborno. Após a prisão de Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, apontado como homem de confiança de Daniel Vorcaro, sua irmã Joana Mourão passou a cobrar emissários do banqueiro para quitar uma dívida de R$ 40 mil e o aluguel da casa onde vivia. Em mensagens capturadas pela PF, Joana demonstrava desespero e, posteriormente, ameaçou expor a família: “Já foi o filho, o genro, hoje o sobrinho. No que depender de mim, HV será o próximo. Domingo já coloco tudo no Fantástico e no Cabrini dessa família maldita!!!”.

Para conter o vazamento, a organização acionou “A Turma”, uma milícia privada liderada por Manoel Mendes Rodrigues, o “Manolo”, braço direito de Henrique Vorcaro. A PF descreve o grupo como um “instrumento de pressão física e moral”. Em negociações, Manolo propôs incluir Joana na sociedade da empresa JM Consultoria e Participações Imobiliária Ltda, com capital social de R$ 1 milhão, como forma de “cala-boca”. A assinatura do contrato ainda não foi confirmada, mas a PF aponta indícios de lavagem de dinheiro.

Prisões e infiltração policial

No dia 14 de maio de 2026, a sexta fase da operação prendeu Henrique Vorcaro, apontado como mentor das milícias, e o agente policial Anderson Wander da Silva Lima. A PF descobriu que o policial atuava infiltrado, usando acesso privilegiado a bancos de dados federais para extrair informações sobre passaportes, históricos de viagens e fluxos migratórios de adversários do Banco Master. Os dados eram usados para encurralar concorrentes e proteger o patrimônio dos Vorcaro.

O relatório final da PF aponta que o grupo tentou destruir provas em massa nas últimas semanas, mas sem sucesso diante do volume de evidências coletadas. O caso segue sob análise do STF.