A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18 de junho de 2026) a 9ª fase da operação Compliance Zero, que apura a eventual participação de um agente público em irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional. A ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que expediu 18 mandados de busca e apreensão nos estados da Bahia e de São Paulo e no Distrito Federal.

Além das buscas, estão sendo cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados, suspensão de passaporte e monitoração eletrônica. Segundo a PF, os fatos investigados podem configurar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Histórico da operação Compliance Zero

A Compliance Zero foi autorizada inicialmente pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025 para investigar fraudes no Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central. A 1ª fase prendeu provisoriamente os principais executivos ligados ao banco, incluindo seu fundador, Daniel Vorcaro. Em novembro, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) autorizou o uso de tornozeleira eletrônica e o retorno dos investigados para casa.

O caso passou a tramitar no STF a partir de dezembro de 2025, sob relatoria do ministro Dias Toffoli. Ele autorizou a 2ª fase em janeiro de 2026, mas deixou a relatoria em 12 de fevereiro, quando o ministro André Mendonça assumiu o caso. Vorcaro voltou a ser preso no início de março e está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele apresentou uma proposta de delação premiada, cuja análise pelo STF deve levar semanas.

Fases anteriores

A operação já teve oito fases anteriores. Confira o resumo de cada uma:

  • 1ª fase (18.nov.2025): Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, um dia antes da operação ser deflagrada, quando tentava deixar o Brasil. Foram cumpridos 7 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em quatro estados e no DF. O ex-banqueiro foi solto em 29 de novembro.
  • 2ª fase (14.jan.2026): A PF realizou buscas em endereços ligados a Vorcaro, apreendendo carros, relógios e dinheiro. Os valores bloqueados ou sequestrados superaram R$ 5,7 bilhões. O objetivo era apurar o uso de fundos fraudulentos para maquiar os caixas do Master.
  • 3ª fase (4.mar.2026): Vorcaro foi novamente preso. A PF afirma que ele mantinha um grupo que intimidava adversários e pagava propina a dois funcionários do Banco Central. No mesmo dia, um homem que trabalhava para Vorcaro tentou suicídio sob custódia da PF e morreu em 6 de março.
  • 4ª fase (16.abr.2026): A operação prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, investigado por suspeita de permitir operações sem lastro com o Master. Segundo a PF, Costa recebeu propina de Vorcaro em imóveis de luxo.
  • 5ª fase (7.mai.2026): O senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo. A PF cita pagamento de propina de Vorcaro ao congressista, que nega. O relator do caso no STF, ministro André Mendonça, afirmou que a relação entre o político e o ex-banqueiro “extrapola a amizade”. Houve bloqueio de R$ 18,85 milhões.
  • 6ª fase (14.mai.2026): Foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O pai de Vorcaro foi preso, acusado de articular o grupo de intimidação e espionagem do ex-banqueiro.
  • 7ª fase (19.mai.2026): A PF investigou o vazamento de informações sigilosas ligadas ao Master. Mendonça determinou o afastamento de um perito da corporação.
  • 8ª fase (26.mai.2026): O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), foi alvo de mandados de busca e apreensão. A ação apura suspeita de crimes envolvendo o Master e o Rioprevidência, com movimentação total de R$ 3 bilhões, segundo a PF.