A Americanas (AMER3) voltou às notícias policiais. A Polícia Federal (PF) iniciou nesta quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure. Segundo informações da imprensa, a operação tem como foco a fraude contábil bilionária na varejista, que veio à luz do mercado em 2023.
Além disso, a 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro determinou a apreensão de bens e valores no total de R$ 54 bilhões em nome dos investigados.
Com apoio do Ministério Público Federal (MPF), a operação apura a participação de acionistas e representantes de bancos privados no esquema. Ao todo, houve o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e São Paulo.
Entre os alvos da operação, estão os sócios na Americanas Jorge Paulo Lemann e Carlos Alberto Sicupira, também de acordo com informações divulgadas na imprensa.
Segundo as investigações, os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico.
As apurações apontam indícios, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e de associação criminosa, diz a Polícia Federal.
Seu Dinheiro entrou em contato com a Americanas e aguarda posicionamento.
O rombo na Americanas
A Americanas protagonizou o maior escândalo contábil recente visto pelo mercado de capitais. Em 11 de janeiro de 2023, veio à tona um rombo inicialmente estimado em R$ 25,2 bilhões derrubou em poucos dias uma das histórias mais tradicionais do varejo brasileiro, provocando a saída imediata da antiga diretoria, a derrocada das ações na bolsa e, pouco depois, o pedido de recuperação judicial.
A operação da PF quer descobrir se ex-executivos e suspeitos estavam completamente cientes da fraude que mascarava os resultados reais da varejista, em um esquema que utilizava do risco sacado e contratos de VPC (verba de propaganda cooperada).
No caso do risco sacado, a empresa pega financiamento junto aos bancos para o pagamento de fornecedores, no entanto, estes eram omitidos do balanço que, por consequência, não mostrava o endividamento real da empresa.
Já os contratos de VPC eram acordos fictícios de publicidade com fornecedores, que entravam na contabilidade sem a prestação de serviço ou lastro econômico, que manipulava os resultados financeiros.
Sem punições
Apesar do tamanho do escândalo, três anos depois da divulgação da fraude nenhum suspeito foi punido.
Há três anos a B3 instaurou e julgou um processo de enforcement — procedimento administrativo para apurar e punir infrações às regras do mercado — contra a Americanas, seus conselheiros e membros do comitê de auditoria. Até agora, a decisão final sobre as sanções não foi divulgada.
Multas foram impostas a Conselheiros por falhas na gestão da companhia. No mesmo mês, as defesas dos executivos apresentaram recursos. Até o presente as decisões finais não foram publicadas de forma adequada, isso caso já tenham sido julgados, o que é incerto.
Já os bilionários donos da empresa tiveram que abrir a carteira para socorrer a varejista, da qual são sócios desde o início dos anos 1980.
Com Money Times
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