A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18) uma nova fase da Operação Compliance Zero, com o objetivo de investigar o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal, além de medidas cautelares como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte.

Detalhes da operação

Segundo a Polícia Federal, a ação busca “apurar a eventual participação de agente público em esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional”. Os crimes investigados são, em tese, corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Relação entre Wagner e Lima

O senador Jaques Wagner já admitiu publicamente manter proximidade com Augusto Lima, mas nega qualquer participação societária ou envolvimento nas operações investigadas. Em pronunciamentos, Wagner afirmou que sua relação com Lima se restringe ao período em que o empresário apresentou projetos para a Bahia, especialmente ligados à Cesta do Povo e ao CredCesta. O senador declarou estar “tranquilo” em relação às investigações e sustentou que sua ligação com Lima sempre foi institucional e política.

Antecedentes empresariais

Augusto Lima ganhou projeção empresarial por meio da CredCesta, empresa de crédito consignado voltada principalmente para servidores públicos estaduais. O negócio surgiu a partir da estrutura da antiga Cesta do Povo, cuja privatização ocorreu durante os governos petistas na Bahia – época em que Wagner ocupava cargos centrais na administração estadual. Anos depois, a CredCesta se tornou um dos principais ativos de Lima e o aproximou de Daniel Vorcaro, levando-o ao núcleo do Banco Master. A operação desta quinta-feira é mais um desdobramento do caso que envolve a instituição financeira e suas relações com agentes públicos.