A Polícia Federal identificou indícios de que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, teria atuado no Congresso Nacional em favor do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. As suspeitas constam em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou buscas e apreensões na operação realizada na quinta-feira (18).

Segundo a decisão, além da relação próxima e de confiança entre Wagner e Lima, há elementos que apontam que o parlamentar promoveu interesses do empresário no Legislativo. Entre as pautas citadas está uma emenda a medida provisória convertida em lei em 2022, que ampliou o crédito consignado. A atuação teria ocorrido em período próximo a relações contratuais entre o Master e a empresa da esposa do enteado de Wagner.

Outro ponto destacado é a tentativa de aprovar uma emenda de ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) e conhecida como "emenda Master". Em fase anterior, a PF já havia apontado suspeita de que o próprio banco redigiu o texto da proposta.

Indícios de contato e mensagens

A decisão de Mendonça menciona registros de comunicação entre Lima e Wagner. Em 13 de agosto de 2024, Lima fez uma chamada de voz de 9 minutos e 19 segundos para o senador e, em seguida, enviou o link da emenda. Em 27 de agosto, após encontro presencial, reenviou o link. Já em 29 de março de 2025, Lima enviou mensagem a Wagner explicando os termos da venda do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília) e afirmou: "Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!"

Para a PF, a frase indica que Wagner não era mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em questões sensíveis ao grupo econômico sob investigação.

Suspeitas de pagamentos e defesa

A investigação também apura se Wagner recebeu pagamentos ligados ao Banco Master por meio da empresa da esposa do enteado, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões. O material apreendido com Augusto Lima, que já havia sido alvo de buscas anteriormente, serviu de base para as novas suspeitas.

Em nota, o senador Jaques Wagner negou ter atuado em favor do Banco Master ou de qualquer instituição financeira. "O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas", afirmou. Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informou que são de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Wagner disse estar à disposição das autoridades.

Os advogados de Augusto Lima, Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebástian Mello, consideraram as diligências desnecessárias, uma vez que Lima está há seis meses à disposição das autoridades. "As medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos", disseram, acrescentando que Lima sempre atuou dentro da lei.

A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça e envolveu buscas e apreensões. A PF continua as investigações.