A Polícia Federal afirma que Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, desembolsou R$ 468 mil em viagens internacionais para o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Segundo a investigação, os gastos configuram uma relação de troca de interesses, classificada como 'funcional e instrumental' pelos agentes.

Valores pagos

O montante foi calculado com base em mensagens, notas fiscais e registros de conversão cambial. Entre as despesas estão jantares em Paris, diárias em hotéis de Nova York e Lisboa, além de refeições em uma estação de esqui na França. Os itens detalhados incluem:

  • 13 de abril de 2024 – Restaurante Gigi, em Paris: US$ 1.981,12 (cerca de R$ 10.175,82).
  • 12 e 18 de maio de 2024 – Seis diárias no Hotel Park Hyatt New York: US$ 47.779,80 (aproximadamente R$ 245.153,37).
  • Junho de 2024 – Cinco diárias no Hotel Four Seasons, em Lisboa: R$ 91.280,59.
  • 21 e 22 de janeiro de 2025 – Em Courchevel (França), despesas em restaurantes somaram R$ 122.112,00, sendo R$ 63.600,00 no La Soucoupe e R$ 58.512,00 no Le Tremplin.

Investigação e cautelas

Os investigadores encontraram registros do nome de Ciro Nogueira em listas de pagamentos e diálogos de Vorcaro. No entanto, adotaram cautela na análise devido à possibilidade de existir um homônimo. Em conversas entre Fabiano Zetter – operador financeiro de Vorcaro – e o banqueiro, o nome 'Ciro' aparece 79 vezes, na maioria associado a referências a 'pagamentos de vulto'.

O caso foi revelado após documentos terem sido retirados do sigilo pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que também indicam negociações, repasses e contratos após a morte de um operador apontado como braço direito de Vorcaro.