A Polícia Federal apontou que os deputados federais Julio Arcoverde (PP-PI) e Átila Lira (PP-PI) efetuaram pagamentos de faturas do cartão de crédito do senador e presidente do PP, Ciro Nogueira (PI). As informações constam em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf, anexado ao inquérito da Operação Compliance Zero, que investiga a relação de Nogueira com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do antigo Banco Master. Apesar de mencionados no documento, os dois deputados não são formalmente investigados no caso.

Pagamentos identificados

De acordo com o RIF, Júlio Arcoverde realizou o pagamento de um boleto no valor de R$ 13.693,54 no dia 19 de junho de 2024. Duas semanas antes, em 4 de junho de 2024, o deputado Átila Lira pagou outra fatura, no valor de R$ 3.457,00. A PF destaca que tais transações indicam uma “possível utilização de terceiros como instrumento de ocultação do real beneficiário das despesas e dos fluxos financeiros, reduzindo a exposição direta do agente político principal”.

Vínculos entre parlamentares

A investigação também ressalta os vínculos pessoais e econômicos entre Arcoverde e Ciro Nogueira. Os dois foram sócios da Seven—Bar & Charutaria, localizada no centro de Teresina (PI), empresa que funcionou entre 2003 e 2011. Além disso, o filho do deputado trabalha como auxiliar parlamentar no gabinete de Ciro, com remuneração mensal de R$ 12.985,57.

Contexto da investigação

As investigações apontam que foi possível identificar elementos financeiros que corroboram a hipótese de percepção de vantagem indevida por Ciro Nogueira, em contexto vinculado aos interesses do grupo econômico liderado por Daniel Vorcaro. Procurada pela CNN, a defesa do senador afirmou que não iria se manifestar e que “todos os esclarecimentos técnicos para refutar as descabidas insinuações policiais nos autos” serão feitos quando oportuno. A reportagem também buscou os deputados Júlio Arcoverde e Átila Lira, mas não houve manifestação até a publicação.