A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (18) uma nova fase da Operação Compliance Zero, que tem como um dos alvos o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado. A investigação aponta indícios de que o parlamentar teria recebido vantagens econômicas indevidas de gestores do Banco Master, especialmente do empresário Augusto Ferreira Lima e de Daniel Vorcaro.
De acordo com a representação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), os investigadores listam uma série de benefícios supostamente concedidos a Wagner, direta ou indiretamente, por meio de familiares, pessoas de confiança e empresas ligadas ao grupo econômico sob investigação. Entre os episódios citados estão o uso gratuito de jatinhos particulares, o recebimento de ingressos para shows internacionais de alto valor, a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador e pagamentos a uma empresa vinculada ao núcleo familiar do senador.
Compra de imóvel de luxo em Salvador
A investigação considera mais relevante o episódio envolvendo a compra de um apartamento no edifício Poème Horto, em Salvador (BA). Conforme a PF, em novembro de 2024, Jaques Wagner enviou a Augusto Lima o contato de um gerente da construtora responsável pelo empreendimento, informando que a unidade custava R$ 2,45 milhões. No dia seguinte, teria encaminhado o material digital de apresentação do imóvel. A PF apura se a aquisição foi viabilizada por meio de estruturas societárias e financeiras interpostas ligadas ao grupo investigado.
Conexão com a atuação legislativa
A representação da PF aponta possíveis conexões entre interesses do Banco Master e a atuação legislativa de Jaques Wagner. Os investigadores mencionam a participação do senador em discussões sobre o crédito consignado. Segundo a PF, o tema ganhou relevância em período próximo ao início de relações contratuais entre o Banco Master e a BN Financeira Ltda., empresa vinculada ao núcleo familiar do parlamentar.
Outro foco envolve uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com repercussões sobre o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). De acordo com a PF, mensagens e registros telefônicos mostram contatos entre executivos ligados ao Banco Master, assessores do senador e Jaques Wagner em datas próximas à apresentação da proposta. Em um dos episódios, no dia 13 de agosto de 2024, data da inclusão da emenda, Augusto Lima realizou uma ligação de mais de nove minutos para o senador e, em seguida, encaminhou o link da proposição. Dias depois, após um encontro presencial, o empresário voltou a compartilhar o mesmo conteúdo.
Uso de aeronaves privadas
Segundo a PF, a disponibilização de aeronaves privadas para Jaques Wagner não teria sido um fato isolado. Mensagens indicam uma relação próxima entre o senador e Augusto Lima. Em um dos episódios, Wagner teria solicitado o contato de um piloto para uma viagem ao Rio de Janeiro. Em abril de 2024, após uma ligação telefônica, Augusto encaminhou ao senador o contato de um profissional identificado como "Breno Copiloto Banco" e, em seguida, compartilhou com o piloto o telefone de Wagner.
Ingressos para shows internacionais
Outro ponto destacado pela investigação envolve ingressos para apresentações de uma cantora internacional em Los Angeles, nos Estados Unidos. Em junho de 2023, Augusto Lima teria orientado sua secretária a providenciar ingressos para familiares de Jaques Wagner. A compra foi realizada pela empresa REAG Investimentos S.A., ao custo total de R$ 63.339. As mensagens analisadas mostram que, em novembro daquele ano, Wagner procurou Augusto para tratar dos ingressos de um dos shows. O empresário enviou os arquivos correspondentes às entradas para um camarote. Posteriormente, o senador solicitou o aumento do número de ingressos para cinco pessoas, pedido que foi atendido.