Os preços do petróleo registraram forte queda nesta segunda-feira (15), atingindo o menor patamar em três meses, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, anunciarem um acordo inicial para encerrar o conflito e reabrir o tráfego pelo Estreito de Ormuz. O barril do Brent recuou US$ 4,10 (4,69%), para US$ 83,23, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) caiu US$ 4,44 (5,23%), cotado a US$ 80,44. Ambos os contratos atingiram o nível mais baixo desde 10 de março, ampliando as perdas de mais de 3% registradas na sexta-feira (12).

Detalhes do acordo

O acordo prevê a assinatura de um memorando de entendimento na Suíça na próxima sexta-feira, segundo informou o primeiro-ministro do Paquistão, país que atuou como mediador. Trump declarou que o Estreito de Ormuz será aberto “sem cobrança de pedágio” e que o bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos também será encerrado. A agência de notícias semioficial iraniana Mehr divulgou que o rascunho do acordo estabelece a reabertura do estreito dentro de 30 dias, sob coordenação iraniana.

O vice-ministro iraniano Kazem Gharibabadi afirmou que um acordo mais abrangente será negociado durante um período de cessar-fogo de 60 dias. As nações do E4 (Reino Unido, França, Alemanha e Itália) disseram estar preparadas para suspender as sanções contra o Irã em resposta a medidas relacionadas ao seu programa nuclear.

Impactos nos preços e expectativas do mercado

Analistas apontam que o prêmio de risco geopolítico incorporado ao petróleo está sendo removido rapidamente. “O prêmio de risco geopolítico que havia sido incorporado ao petróleo bruto está agora sendo retirado de forma bastante agressiva, à medida que os operadores passam a precificar a perspectiva de restauração dos fluxos de petróleo”, disse Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade.

O fechamento do Estreito de Ormuz por mais de três meses interrompeu milhões de barris diários de oferta de petróleo e gás. Pelo estreito, passam cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito. Investidores monitoram a velocidade com que os produtores do Oriente Médio poderão retomar a produção e as exportações, além da possibilidade de mais navios voltarem a operar na região.

“Embora essas incertezas sugiram riscos de alta para nossa projeção de que os contratos futuros do Brent alcancem US$ 80 por barril até o final do ano, vale notar que os fluxos de petróleo pelo Estreito de Ormuz precisam apenas atingir entre 60% e 70% dos níveis anteriores à guerra para que o mercado retorne às expectativas de excesso de oferta que existiam antes do conflito”, escreveu Vivek Dhar, estrategista de commodities do Commonwealth Bank of Australia.

“Além da reação imediata dos preços, a atenção agora se voltará para o ritmo da efetiva normalização da oferta e para o cumprimento do acordo”, disse Priyanka Sachdeva, analista sênior de mercado da Phillip Nova.

Danos e desafios persistentes

Apesar do avanço diplomático, analistas destacam obstáculos para a retomada plena dos fluxos. “Embora o conflito possa ter chegado ao fim e os fluxos de petróleo através do Estreito de Ormuz possam gradualmente voltar ao normal, os danos já causados não podem ser revertidos da noite para o dia. Isso inclui não apenas quaisquer danos físicos à infraestrutura petrolífera, mas também a pressão econômica suportada pelas economias importadoras de petróleo, que enfrentaram custos elevados de energia durante meses”, afirmou Priyanka Sachdeva.

Os próximos passos incluem a assinatura do memorando na Suíça, o início da contagem regressiva de 30 dias para a reabertura do estreito e a negociação de um acordo mais amplo durante o cessar-fogo de 60 dias. A comunidade internacional observa atentamente o cumprimento dos termos e a efetiva normalização da oferta de petróleo na região.