Os preços do petróleo encerraram a terça-feira (16) abaixo de US$ 80 por barril, no menor nível desde o início de março, impulsionados pelo anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã para ampliar o cessar-fogo e permitir a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, principal rota de escoamento de energia do Golfo Pérsico. O barril do Brent, referência internacional, recuou 5,1%, para US$ 78,96, enquanto o WTI, referência americana, caiu 5,8%, fechando a US$ 76,05.

Contexto do conflito e impacto nos preços

O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã gerou forte volatilidade no mercado energético nos últimos meses. Antes do início das hostilidades, em fevereiro, o Brent era negociado em torno de US$ 72. Com os ataques militares e o risco de interrupção do abastecimento, os preços chegaram a superar US$ 120 em abril. O Estreito de Ormuz é considerado um dos pontos mais estratégicos do comércio mundial de energia: por ele passa cerca de um quinto do petróleo consumido no planeta e grande parte das exportações de gás natural liquefeito do Catar.

Analistas afirmam que o acordo reduziu parte do chamado “prêmio geopolítico” incorporado aos preços durante a guerra. Segundo Soojin Kim, analista do banco japonês MUFG, a expectativa de recuperação gradual das exportações da região diminuiu as preocupações imediatas com o abastecimento. Além do petróleo, a perspectiva de maior oferta energética também ajudou a aliviar receios inflacionários em diversas economias.

Primeiros sinais de retomada

Sinais de normalização começaram a surgir nesta terça-feira. Dois petroleiros iranianos deixaram o Golfo de Omã e cruzaram a linha de bloqueio estabelecida pelos Estados Unidos, marcando os primeiros movimentos relevantes de exportação de petróleo iraniano sem interferência militar desde o início das restrições. No entanto, operadores do setor afirmam que a normalização completa ainda está distante.

Empresas de navegação, seguradoras e comerciantes de petróleo alertam que o retorno ao fluxo pré-guerra poderá levar semanas ou meses. Persistem preocupações relacionadas à presença de minas marítimas, riscos de segurança e custos elevados de seguro. O presidente da Mitsui O.S.K. Lines, uma das maiores companhias de transporte marítimo do mundo, afirmou que muitos armadores aguardam evidências mais concretas de que o acordo será duradouro antes de retomar rotas regulares pela região.

Bancos revisam projeções

A melhora das perspectivas levou grandes instituições financeiras a revisar suas estimativas para os preços do petróleo. O Goldman Sachs reduziu em US$ 10 sua projeção para o Brent no último trimestre de 2026, prevendo agora cotações em torno de US$ 80 por barril. O banco passou a considerar que as exportações do Golfo Pérsico poderão retornar aos níveis anteriores ao conflito já no fim de julho. O UBS também avaliou que o mercado recebeu positivamente o acordo, mas ressaltou que a recuperação do transporte marítimo dependerá da confiança de armadores e seguradoras. Já o Morgan Stanley considera que o mercado continuará relativamente apertado durante o verão do hemisfério norte, mas vê os preços estabilizados próximos de US$ 80 por barril a partir do quarto trimestre.

Reflexos na economia e nos mercados

A queda do petróleo tem impactos que vão além do setor energético. Preços mais baixos tendem a reduzir custos de combustíveis, transporte e logística, ajudando no combate à inflação em economias desenvolvidas e emergentes. O movimento também favorece companhias aéreas, empresas de transporte e setores intensivos em energia. Por outro lado, ações de grandes petroleiras vêm sofrendo pressão nos mercados financeiros diante da perspectiva de receitas menores caso a commodity permaneça próxima dos níveis atuais.

Apesar da forte correção desta semana, especialistas afirmam que o mercado continuará sensível a qualquer sinal de descumprimento do acordo entre Washington e Teerã, mantendo a volatilidade elevada nos próximos meses.