Os preços do petróleo Brent registraram queda expressiva nesta segunda-feira (15), após os Estados Unidos e o Irã anunciarem um acordo para encerrar o conflito iniciado em fevereiro. O barril Brent, referência internacional, fechou o dia cotado a US$ 83,36, uma redução de 4,55% — o menor valor desde 4 de março. Durante a manhã, chegou a ser negociado a US$ 82,41, queda de 5,63%. Já o petróleo WTI, utilizado nos EUA, encerrou o pregão a US$ 81,38, alta de 0,30%.

Acordo prevê reabertura do estreito de Hormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a reabertura do estreito de Hormuz ocorrerá na sexta-feira (19), sem cobrança de pedágio, e que o bloqueio naval americano será encerrado. "Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir", declarou Trump em sua rede social.

Segundo uma minuta do acordo, obtida por fontes próximas às negociações, os principais pontos incluem a reabertura do estreito de Hormuz — rota por onde passam cerca de 20% do petróleo e gás natural comercializados globalmente —, o fim do bloqueio americano aos portos iranianos e a ampliação do período de cessar-fogo. Além disso, abre-se caminho para negociar o fim do programa nuclear do Irã, com um prazo adicional de 60 dias para conversas. A agência semioficial iraniana Mehr informou que a reabertura do estreito pode ocorrer em até 30 dias, sob os termos estabelecidos pelo Irã.

O estreito de Hormuz, que separa o Irã da Península Arábica, é um dos pontos de passagem mais estratégicos do comércio global. Seu bloqueio, ocorrido durante a guerra, gerou uma crise de abastecimento que afetou mercados de combustíveis, alimentos, fertilizantes e frete marítimo, elevando a inflação e os preços dos combustíveis. O agronegócio brasileiro, que depende de cerca de 85% dos fertilizantes importados, é especialmente vulnerável a esses choques externos.

Impacto nos mercados globais

O anúncio do acordo trouxe otimismo aos mercados financeiros. Na Europa, o índice Euro STOXX 600 fechou em alta de 0,2%, atingindo o mesmo nível anterior à guerra, registrado em 28 de fevereiro. As bolsas de Frankfurt (+1,09%), Paris (+0,4%), Milão (+0,66%) e Madri (+1,43%) também subiram. Londres foi a exceção, com queda de 0,39%.

Na Ásia, o destaque foi a bolsa de Seul, que disparou 5,2%. Tóquio subiu 4,99%, Xangai 1,61%, Hong Kong 0,5% e o índice CSI300, que reúne as principais empresas de Xangai e Shenzhen, teve alta de 2,39%.

Nos Estados Unidos, os três principais índices também registraram ganhos. A Nasdaq subiu 3,07%, o S&P 500 valorizou 1,66% e a Dow Jones avançou 0,92%.

Perspectivas para o fornecimento de petróleo

A guerra no Irã teve início em 28 de fevereiro, quando o barril Brent era negociado a US$ 72,4. Desde então, os preços subiram até atingir a máxima de US$ 119,42 em 9 de março, impulsionados pelo fechamento do estreito de Hormuz. O acordo atual prevê a reabertura gradual do canal, mas analistas alertam para a lentidão da retomada.

Tamas Varga, analista da PVM Oil Associates, afirmou que "levará tempo para que o petróleo se aproxime do nível pré-crise de 20 milhões de barris por dia navegando por esse ponto de estrangulamento. As estimativas para a retomada total do tráfego variam de semanas a meses." Ele acrescentou que "os investidores financeiros estão, portanto, apenas antecipando o fornecimento físico futuro, daí a atual queda nos preços do petróleo. A retomada lenta possivelmente resultará em um déficit de oferta ao longo de 2026."

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, anunciou no domingo (14) que EUA e Irã chegaram a um acordo para encerrar os conflitos e realizarão na sexta-feira (19) uma cerimônia de assinatura dos termos de paz. Trump confirmou o acordo em sua rede social: "O acordo com a República Islâmica do Irã está concluído."