Os preços do petróleo caíram mais de 2% nesta terça-feira (16), renovando a mínima dos últimos três meses. O movimento foi impulsionado pela avaliação do mercado sobre a possibilidade de retomada do fornecimento pelo Estreito de Ormuz, combinada com demanda física mais fraca e a falta de detalhes sobre um acordo preliminar para encerrar a guerra entre Estados Unidos e Irã.

O barril do Brent, referência internacional, recuou 2,62%, cotado a US$ 81. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, caiu 3%, para US$ 78,33, após tocar US$ 78,27 – menor valor desde 10 de março.

Acordo de paz e impactos no estreito

Na segunda-feira, os contratos futuros já haviam caído quase 5%, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um acordo provisório para encerrar o conflito entre EUA e Israel com o Irã. Os detalhes completos do pacto ainda não foram divulgados.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou na terça-feira que uma nova rodada de negociações será iniciada na Suíça na sexta-feira, visando um acordo final. O conflito levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do suprimento global de petróleo.

“Persistem os riscos de queda a curto prazo, uma vez que o mercado precifica uma reabertura mais rápida do Estreito e o retorno dos barris retidos”, disse Ole Hansen, analista do Saxo Bank.

Segundo Hansen, estoques reduzidos, forte demanda sazonal, recomposição estratégica de reservas e incerteza geopolítica sugerem que o caminho de volta aos níveis pré-guerra pode ser menos direto do que o otimismo atual indica.

Reabertura do estreito e operações secretas

Até o momento, poucos petroleiros cruzaram o estreito desde o anúncio do acordo-quadro. Navios têm transportado barris discretamente ao longo da costa de Omã há semanas, navegando com apoio da Marinha dos EUA. Os transportadores aguardam garantias de segurança, incluindo a remoção de minas.

As forças armadas dos Estados Unidos supervisionaram dezenas de transferências secretas de petróleo de navio para navio para manter o fluxo de exportações do Golfo, utilizando drones aéreos e aquáticos, além de helicópteros, em operações para guiar comboios até os petroleiros.

Os primeiros indícios sugerem que o acordo reabriria o estreito bloqueado e estenderia o cessar-fogo por 60 dias, concedendo tempo para negociações sobre temas como o programa nuclear iraniano. Analistas esperam que o fluxo seja retomado em breve, aumentando a pressão de baixa sobre os mercados físicos, que já estão enfraquecidos.

Análise do mercado e previsões

Uma série de indicadores apontou para um enfraquecimento dos mercados físicos de petróleo nas últimas semanas, segundo analistas do Morgan Stanley. O Goldman Sachs reduziu sua previsão para o Brent no quarto trimestre de US$ 90 para US$ 80 por barril e cortou a estimativa média para 2027 de US$ 80 para US$ 75, assumindo que as exportações do Golfo retornarão aos níveis pré-guerra até o final de julho, em vez de agosto.

Dados da China e demanda global

As importações de petróleo bruto da China caíram 29% em maio, atingindo o menor nível em oito anos, ampliando o declínio do maior importador mundial. Espera-se também uma queda nos embarques de petróleo bruto saudita em julho.

“Também tivemos alguns dados chineses mais fracos do que o esperado, sugerindo que talvez a demanda da segunda maior economia do mundo e uma das principais nações consumidoras de petróleo possa estar enfraquecendo em um momento em que se espera que a oferta de petróleo aumente novamente com o relaxamento das restrições ao Irã”, disse Fawad Razaqzada, analista de mercado da Forex.com.

Com os detalhes ainda incertos e uma trégua permanente por ser assegurada, os analistas apontam que os riscos de volatilidade permanecem.