A Petrobras acumulou cerca de US$ 2,5 bilhões em valores a receber do governo federal referentes aos programas de subvenção aos combustíveis, de acordo com estimativas do BTG Pactual. O montante tem gerado preocupação entre investidores, pois eventuais atrasos nos pagamentos podem elevar as necessidades de capital de giro da estatal e levantar dúvidas sobre a capacidade de distribuição de dividendos no curto prazo.

Apesar disso, os analistas do banco avaliam que o avanço esperado do lucro operacional da companhia no segundo trimestre deve ser suficiente para compensar o aumento dos recebíveis. Segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (5), a Petrobras deverá encerrar junho com aproximadamente US$ 2,2 bilhões a receber relacionados ao diesel e outros US$ 300 milhões ligados à gasolina.

De acordo com o BTG, as medidas adotadas pelo governo para manter os preços dos combustíveis estáveis acabaram beneficiando os preços efetivamente recebidos pela Petrobras. Em maio, a estatal recebeu uma subvenção média de cerca de R$ 0,89 por litro de diesel, abaixo dos R$ 1,12 previstos originalmente. A diferença ocorreu devido à metodologia utilizada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), baseada nos conceitos de 'Preço de Referência' e 'Preço de Comercialização'.

Com a edição da MP 1.363, esses critérios foram eliminados. Assim, os analistas esperam que a Petrobras passe a receber integralmente a subvenção de R$ 1,12 por litro a partir de junho, além de uma compensação adicional de R$ 0,35 por litro criada para neutralizar a retomada da cobrança de PIS/Cofins. Para o segundo trimestre de 2026, o banco estima uma subvenção média de R$ 1,04 por litro para o diesel. No caso da gasolina, a estatal passou a receber uma subvenção de R$ 0,44 por litro a partir do fim de maio.

Na avaliação dos analistas, essas compensações resultam em preços líquidos realizados equivalentes a cerca de US$ 145 a US$ 152 por barril no diesel e aproximadamente US$ 97 por barril na gasolina, níveis considerados favoráveis para a rentabilidade da companhia.

O BTG destaca que a primeira fase dos pagamentos relacionados ao programa de subvenção do diesel deveria ter sido concluída em abril. No entanto, problemas no processamento das notas fiscais pela ANP e pela Receita Federal teriam provocado atrasos no cronograma de reembolsos. Embora os valores sejam corrigidos pela taxa Selic, os analistas observam que ainda não há clareza sobre quando os pagamentos serão efetivamente realizados.

Caso os recursos não sejam recebidos até o fim de junho, a Petrobras poderá registrar uma pressão temporária sobre o capital de giro no trimestre. Ainda assim, o banco acredita que o crescimento do Ebitda deve mais do que compensar esse efeito. Além disso, os analistas não descartam a possibilidade de que os pagamentos sejam realizados antes do encerramento do mês de junho.

Apesar das incertezas relacionadas aos reembolsos, o BTG segue otimista com a tese de investimento da Petrobras. A avaliação positiva é sustentada tanto por fatores operacionais quanto pelo ambiente externo. Do lado operacional, o banco destaca o crescimento da produção e as elevadas taxas de utilização das refinarias. No cenário macroeconômico, os preços do petróleo permanecem oferecendo suporte aos resultados, enquanto as subvenções ajudam a elevar os preços efetivamente recebidos pela estatal.

Diante desse quadro, o BTG reiterou a recomendação de compra para as ações da Petrobras negociadas em Nova York. O banco estima um rendimento de fluxo de caixa livre para o acionista de cerca de 12% em 2026 e 2027. O preço-alvo para os ADRs da companhia é de US$ 25, o que representa um potencial de valorização de 38,4% em relação à cotação de US$ 18,06 considerada no relatório. Quando somado ao dividend yield projetado de 10,2%, o retorno total estimado pelos analistas chega a 48,6% nos próximos 12 meses.

Com informações de Seu Dinheiro.