A Petrobras e a estatal mexicana Pemex assinaram um acordo de cooperação para estudar projetos conjuntos de exploração e produção de petróleo, refino, gás natural e petroquímica.

A parceria aproxima as duas maiores empresas de energia da América Latina em um momento em que ambas enfrentam desafios distintos.

O Brasil busca novas reservas para sustentar sua produção futura, enquanto o México tenta recuperar uma indústria marcada por queda de produtividade e alto endividamento.

O memorando de entendimento, ainda sem caráter vinculante, prevê estudos para atuação conjunta em águas rasas e profundas do Golfo do México, além de possíveis projetos em processamento de gás, fertilizantes, refino e outras áreas da cadeia de energia.

Petrobras busca ampliar fronteiras após sucesso do pré-sal

Para a Petrobras, a aproximação representa uma tentativa de diversificar seu portfólio de exploração além das áreas que impulsionaram a expansão recente da produção brasileira.

A companhia se tornou uma das maiores referências mundiais em exploração em águas profundas após a descoberta do pré-sal, em 2006.

As reservas localizadas sob uma camada de sal no litoral brasileiro transformaram o país em um dos principais produtores de petróleo da América Latina.

Continua após a publicidade

Nos últimos anos, porém, a estatal passou a buscar novas oportunidades para manter o ritmo de produção nas próximas décadas, especialmente diante do declínio natural de campos maduros e da necessidade de reposição de reservas.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que o acordo abre espaço para avaliar novas áreas de exploração no México e em outros mercados.

“Será que todo o petróleo do Golfo do México ficou apenas do lado americano?”, questionou a executiva, defendendo uma nova avaliação do potencial mexicano com tecnologias mais avançadas.

Pemex tenta reverter queda de produção e crise financeira

Do lado mexicano, a parceria representa uma tentativa de aproveitar a experiência da Petrobras em exploração offshore.

A Pemex enfrenta uma situação financeira mais delicada, com uma dívida próxima de US$ 80 bilhões (cerca de R$ 440 bilhões), queda na produção e dificuldades operacionais.

Continua após a publicidade

A estatal mexicana já foi uma das maiores produtoras de petróleo do mundo, impulsionada por campos como Cantarell, que chegou a produzir mais de 2 milhões de barris por dia no auge. O campo, porém, perdeu produtividade ao longo das últimas décadas.

Outros ativos importantes também apresentam declínio, enquanto novos projetos ainda não compensaram totalmente a perda de produção.

Além disso, a Pemex acumula problemas no segmento de refino, com instalações antigas, baixa eficiência e prejuízos recorrentes.

Golfo do México mexicano é aposta de longo prazo

Apesar do potencial geológico, a exploração em águas profundas do lado mexicano do Golfo do México ainda é limitada.

Enquanto áreas americanas da região produzem cerca de 2 milhões de barris por dia em campos offshore profundos, o México ainda não consolidou uma produção comercial significativa nesse segmento.

Continua após a publicidade

Durante o governo do ex-presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador, o país reduziu a abertura do setor petrolífero a empresas privadas e interrompeu leilões de novas áreas iniciados na década passada.

A atual administração mexicana busca alternativas para aumentar investimentos e recuperar capacidade produtiva sem abrir mão do controle estatal do setor.

Investimentos e financiamento são principais desafios

Especialistas apontam que o potencial da parceria depende da estrutura financeira dos projetos.

A exploração offshore exige investimentos elevados, com custos que podem chegar a dezenas ou centenas de milhões de dólares antes mesmo de uma descoberta comercial.

John Padilla, fundador da consultoria Paramos Energy, afirmou que o principal desafio será definir quem assumirá o risco financeiro das operações.

Continua após a publicidade

Segundo ele, a Pemex dificilmente teria capacidade para financiar sozinha grandes projetos exploratórios, o que poderia colocar sobre a Petrobras parte relevante do investimento.

Lula e Sheinbaum aproximam agendas energéticas

A parceria também ocorre em meio a uma aproximação política entre Brasil e México.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente mexicana Claudia Sheinbaum discutiram recentemente possibilidades de cooperação em energia, incluindo petróleo e biocombustíveis.

Os dois países são as maiores economias da América Latina e buscam ampliar relações comerciais em um cenário de mudanças no mercado energético.

Além do petróleo, o acordo prevê estudos em áreas como gás natural, petroquímica, fertilizantes, segurança industrial e fontes de energia de menor emissão.

Para as duas empresas, o desafio será transformar a aproximação diplomática em projetos concretos capazes de gerar novas reservas e aumentar a competitividade de suas operações.

Publicidade