O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, discursou nesta sexta-feira (5) na Praça María Varilla, em Montería, capital de Córdoba, durante evento com comunidades camponesas. Em tom de crítica, Petro afirmou que os Estados Unidos tentam impor um candidato que classificou como 'mequetrefe de Miami, defensor de narcoterroristas', referindo-se ao milionário Abelardo de la Espriella, adversário do progressista Iván Cepeda no segundo turno das eleições presidenciais colombianas, marcado para 21 de junho.
Segundo Petro, a interferência externa visa 'acabar com tudo o que fizemos nestes quatro anos de governo'. Ele destacou que seu governo adquiriu um milhão de hectares para a Reforma Agrária, parte já entregue a famílias produtoras. 'Não pode defender a Pátria quem se ajoelha aos gringos e ao narcotráfico', enfatizou, sendo ovacionado pela multidão.
Críticas a Trump e Rubio
Petro também se referiu ao ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e ao secretário de Estado Marco Rubio, afirmando que 'ou combatemos o narcotráfico, ou vocês levarão o narcotráfico para a Casa Branca para fazer leis sobre os povos da América Latina com os mesmos narcotraficantes'. Ele condenou a interferência explícita do governo estadunidense no processo eleitoral colombiano, classificando os aliados de Trump como 'genocidas e narcotraficantes'.
Na quinta-feira (4), Trump declarou apoio a Abelardo de la Espriella, chamando-o de 'candidato que enfrentará um marxista de esquerda radical'. Petro respondeu que 'seus aliados vêm do regime narco-paramilitar' e que 'querem ajudar a levar o crime ao poder político na Colômbia'.
Alerta contra o 'narco-paramilitarismo'
Petro comparou a situação a uma escolha entre 'Mussolini ou as brigadas de Giuseppe Garibaldi', exortando os colombianos a rejeitar o que chamou de 'carrascos do narco-paramilitarismo'. Ele citou o sociólogo Francisco Leal, que documentou a aliança entre narcotráfico e paramilitarismo desde a década de 1980, transformando-se em um projeto político de controle do Estado.
O presidente também criticou a mídia hegemônica, acusando-a de usar 'a tática de Goebbels, o comunicador de Hitler', para manipular a opinião pública. 'O resto é um convite para o suicídio nacional', afirmou.
Contexto eleitoral
No primeiro turno, Abelardo de la Espriella obteve 43,7% dos votos, contra 40,9% de Iván Cepeda. Petro convocou a população a participar massivamente do segundo turno, alertando que, se a oposição vencer, 'estarei novamente nas ruas, arriscando minha vida com meu povo, defendendo a justiça social e a democracia'.
A reportagem também menciona o escândalo do Hondurasgate, com gravações que ligam o ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández a uma trama de desinformação contra governos progressistas, incluindo os de Claudia Sheinbaum (México) e Gustavo Petro. Hernández foi libertado em dezembro de 2025 após indulto de Trump.
Com informações de Revista Fórum.