Um estudo realizado por um pesquisador do BTG Pactual e do FGV IBRE, doutor em economia, aponta que, nos governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o gasto público primário real cresce a uma taxa anual de aproximadamente 6%, um ritmo superior ao observado em outras gestões. A análise, de caráter opinativo, foi publicada na Folha de S.Paulo.

Segundo o autor, a expansão acelerada dos gastos é impulsionada pelo aumento real do salário mínimo e pelos pisos constitucionais das áreas de saúde e educação. Embora essas medidas atendam a demandas sociais, o pesquisador considera que o ritmo de crescimento é insustentável, pois supera o crescimento da economia. "Quando a política econômica é insustentável, mais cedo ou mais tarde ocorre uma correção", afirma.

Comparação histórica dos gastos

O estudo apresenta um gráfico que mostra a evolução do gasto público real acumulado em 12 meses para os diferentes governos desde o primeiro mandato de Lula. A frequência dos dados é mensal, e cada governo tem seu gasto normalizado, com valor 100 atribuído ao início do mandato, correspondente ao gasto acumulado nos 12 meses anteriores. O gráfico foi preparado por Fábio Serrano, analista de política fiscal do BTG, com base em um relatório do economista-chefe da Tullett Prebon, Fernando Montero. O autor agradece a ambos pela contribuição.

De acordo com a análise, em todos os períodos do governo Lula, com exceção do início do primeiro mandato —quando o ministro da Fazenda era Antonio Palocci—, o gasto público cresceu mais rapidamente do que em qualquer outra administração. Durante o governo Dilma Rousseff, o padrão de crescimento foi semelhante ao de Lula até a grande recessão, momento em que houve redução da taxa de crescimento dos gastos.

Sustentabilidade e impactos econômicos

O pesquisador argumenta que o ciclo de commodities durante o final do primeiro mandato de Lula e o início do governo Dilma sustentou a política econômica por mais tempo, mas a insustentabilidade foi revelada quando a economia mundial desacelerou. Ele alerta que, caso Lula seja reeleito —cenário considerado provável na análise—, será necessário aprender a governar sem que o gasto cresça 6% ao ano.

Além disso, o estudo sugere que a velocidade de crescimento do gasto público pode pressionar a base material da economia, influenciando a inflação e a taxa de juros no Brasil. A análise conclui que a dificuldade de governar sem esse ritmo de expansão é um desafio para o presidente.