Pesquisa realizada pela Nexus e divulgada recentemente aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu vitorioso na disputa de narrativa com o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, sobre a decisão do governo de Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A maioria do eleitorado, incluindo os independentes, concorda com a leitura do governo brasileiro de que a medida representa uma ameaça à soberania nacional.

Resultados da pesquisa

De acordo com o levantamento da Nexus, 37% dos eleitores avaliam que a iniciativa norte-americana vai ameaçar a segurança dos brasileiros, servindo de justificativa para interferências ou sanções ao governo e ao povo. 30% acreditam que a medida melhorará a segurança por focar exclusivamente no combate aos grupos criminosos, enquanto 23% consideram que não trará interferências, sendo apenas burocracia ou encenação política. O índice de quem não soube ou não respondeu foi de 9%.

Divisão por perfil político

Quando o perfil político é levado em consideração, a pesquisa apontou que 56% dos bolsonaristas convictos afirmam que a medida vai melhorar a segurança pública, enquanto 59% dos eleitores fiéis a Lula avaliam a decisão como uma ameaça à soberania e à segurança nacional.

Os eleitores independentes, por sua vez, tendem a concordar com a posição do eleitorado governista. Nesse grupo, 44% enxergam a medida como uma ameaça à segurança do país, contra 21% que projetam melhorias e 25% que consideram o ato indiferente.

Contexto da disputa

Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL, havia defendido e trabalhado pela iniciativa de Trump. O resultado da pesquisa indica que Lula venceu a disputa de narrativa sobre o tema, já que a maioria dos consultados, inclusive os independentes, compartilha da visão do governo federal de que a classificação representa uma ameaça à soberania nacional.