Pesquisa da Indexa Pesquisas, divulgada neste domingo (7) pelo jornal Estadão, indica que 67,2% dos brasileiros consideram que os 80 anos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não prejudicam sua capacidade de governar. Por outro lado, 15,5% afirmam que a idade atrapalha muito e 13,7% dizem que atrapalha um pouco. Outros 3,8% não souberam ou não responderam. Somados, os que percebem algum impacto negativo chegam a 29,2%, menos da metade do grupo que rejeita essa visão.
O resultado atinge uma das principais apostas da extrema direita para as eleições de 2026: transformar a idade de Lula em vulnerabilidade eleitoral, estratégia similar à adotada nos Estados Unidos contra o ex-presidente Joe Biden, que desistiu da candidatura durante a disputa com Donald Trump. A pesquisa, no entanto, sugere que o tema encontra resistência no eleitorado e pode ter alcance limitado fora da base bolsonarista.
Para o CEO da Indexa, Arilton Freres, os dados indicam que a disputa presidencial será definida por questões mais concretas. “A disputa de 2026 deverá ser influenciada muito mais por temas ligados à economia, renda e qualidade de vida da população do que pela questão etária dos candidatos”, afirmou.
Na prática, o levantamento mostra que a tentativa de desgastar Lula pela idade pode ter alcance limitado. A oposição, especialmente o bolsonarismo, tem insistido em ataques etaristas, mas os números sugerem que essa narrativa não encontra adesão majoritária no eleitorado.
Estratégia de comunicação e reação nas redes
O campo petista já adota medidas para neutralizar esse tipo de ataque. A primeira-dama Janja tem publicado vídeos de Lula realizando atividades físicas na residência oficial, mostrando o presidente na esteira e mantendo uma rotina de cuidados com a saúde. Em uma das publicações, Janja afirmou: “Meu marido está aqui desde as 6 da manhã. Ele já fez 45 minutos na esteira”. Na legenda, completou: “Firme e Forte!! Sem IA e sem Power Point!!”.
A movimentação chamou atenção da imprensa internacional. O jornal britânico The Guardian destacou a estratégia de comunicação e lembrou o contraste com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula nas eleições deste ano, que desmaiou ao vivo durante um debate na TV Bandeirantes em 2016, quando era candidato à prefeitura do Rio de Janeiro.
Em março, Flávio Bolsonaro chamou Lula de “Opala velho”, em referência ao carro da Chevrolet lançado em 1968. O ataque, porém, reforçou a percepção de que a oposição tenta substituir o debate sobre economia, renda e futuro do país por uma ofensiva baseada na idade do presidente.
Lula lidera intenções de voto
A pesquisa sobre a idade se soma a outro dado relevante da própria Indexa. No mais recente levantamento eleitoral do instituto, Lula aparece na liderança com 39% das intenções de voto, contra 30% de Flávio Bolsonaro. O resultado acompanha a tendência observada em outros levantamentos dos últimos meses, que colocam o presidente à frente nos cenários de primeiro e segundo turno.
Com informações de Revista Fórum.