As campanhas para o segundo turno das eleições presidenciais do Peru foram encerradas na quinta-feira (4.jun.2026). A votação está marcada para este domingo (7.jun.2026). Pesquisa Ipsos divulgada no mesmo dia aponta empate técnico entre a candidata de direita Keiko Fujimori (Fuerza Popular) e o esquerdista Roberto Sánchez (Juntos por el Perú).
Realizado em 29 e 30 de maio, o levantamento mostra Keiko com 38% das intenções de voto, enquanto Sánchez registra 35%. Os eleitores que declararam voto branco ou nulo somam 15%. A margem de erro é de 2,1 pontos percentuais para mais ou para menos.
Entre os potenciais eleitores de Keiko, 74% afirmaram ter certeza do voto, 15% disseram que podem mudar de opinião ou estão muito indecisos. No eleitorado de Sánchez, 74% declararam não mudar de opinião, 8% podem alterar o voto e 9% estão muito indecisos.
Em pesquisa anterior, realizada em 3 de junho, Sánchez aparecia numericamente à frente, com 43,8%, contra 43,2% de Keiko. Os votos brancos ou nulos eram 13%.
Cerca de 27 milhões de peruanos são obrigados a comparecer às urnas.
Atraso na definição do 2º turno
O primeiro turno, realizado em 12 e 13 de abril, teve apuração lenta e questionada. O pleito registrou recorde de 36 candidaturas presidenciais. Problemas logísticos na abertura das seções eleitorais em Lima afetaram mais de 50 mil eleitores e estenderam a votação de forma inédita.
A definição do adversário de Keiko — que liderou a primeira fase com 17,1% dos votos válidos — levou mais de um mês devido à análise de mais de 15 mil cédulas contestadas pelos partidos. O Júri Nacional de Eleições (JNE) oficializou o resultado apenas em 17 de maio. Sánchez ficou em segundo lugar, com 12% dos votos válidos, superando o ultraconservador Rafael López Aliaga (Renovación Popular), que obteve 11,9% e alegou fraude.
A crise na contagem dos votos levou à renúncia do chefe da autoridade eleitoral, Piero Corvetto, em abril. Observadores da União Europeia e da Asociación Civil Transparencia, no entanto, descartaram indícios de irregularidades generalizadas.
Crise de segurança e instabilidade
O futuro presidente assumirá o comando de um país marcado por forte volatilidade institucional. O eleito será o 9º chefe do Executivo a governar o Peru em 10 anos. Desde 2016, nenhum presidente eleito concluiu um mandato regular de cinco anos, em grande parte devido a investigações e escândalos de corrupção.
A segurança pública dominou os debates na reta final da campanha. Segundo o Instituto Nacional de Estadística e Informática (INEI), as notificações de extorsão cresceram 20% em 2025 na comparação com o ano anterior. No mesmo período, Lima registrou taxa de 23 homicídios por 100 mil habitantes, o triplo do índice de cinco anos antes.
Como resposta, Sánchez propõe a aplicação da pena de “morte civil” para conter crimes ligados à corrupção estatal, impedindo condenados de exercer funções públicas de forma definitiva.
Apesar da instabilidade política, os indicadores econômicos do Peru mostram estabilidade.
Com informações de Poder360.