Cerca de 27 milhões de eleitores peruanos vão às urnas neste domingo (7) para decidir o segundo turno da eleição presidencial, que opõe a conservadora Keiko Fujimori e o candidato de esquerda Roberto Sánchez. O pleito ocorre em um cenário de forte polarização, instabilidade política, desgaste institucional e aumento da criminalidade. O vencedor assumirá um mandato de cinco anos.
No primeiro turno, realizado em abril, Keiko Fujimori obteve cerca de 17% dos votos, enquanto Roberto Sánchez alcançou 12%. A disputa foi marcada por baixa participação, atrasos na apuração e denúncias de irregularidades, o que intensificou a desconfiança no sistema eleitoral. Na reta final da campanha, as pesquisas apontavam empate técnico, com ambos os candidatos buscando mobilizar os eleitores indecisos.
Contexto de instabilidade política
O Peru vive um período de profunda instabilidade política. Desde 2016, o país teve oito presidentes, e a crise se aprofundou após a destituição e prisão do ex-presidente Pedro Castillo em 2022, que foi seguida por uma série de governos de transição. Esta será a nona eleição presidencial em apenas dez anos.
Perfil e propostas dos candidatos
Keiko Fujimori, em sua quarta tentativa de chegar à presidência, baseia sua candidatura em uma plataforma de segurança pública. Ela promete endurecer as leis contra o crime, reforçar o controle de fronteiras e aumentar a rigidez penal. Em debates recentes, a candidata afirmou que o Peru atravessa um “momento crítico” e defendeu a “reconstrução institucional” do país. Sua trajetória política está ligada ao legado de seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, cujo governo é associado a acusações de autoritarismo, corrupção e violações de direitos humanos.
Roberto Sánchez, representante da esquerda, ganhou impulso na reta final da campanha. Ele baseia sua proposta na luta contra a corrupção e na necessidade de reformar o sistema político, atraindo apoio principalmente de eleitores das áreas rurais e das populações mais vulneráveis. Sánchez também critica a instabilidade recente, apontando falhas estruturais na elite política peruana.
Questões judiciais e diplomáticas
A corrida presidencial foi impactada por questões judiciais. Roberto Sánchez foi recentemente indiciado por supostas declarações falsas sobre financiamento partidário entre 2018 e 2020. Caso vença, a imunidade constitucional o protegeria de processos. No cenário internacional, Sánchez adotou uma postura conciliatória em relação aos Estados Unidos, defendendo “relações respeitosas” e a ampliação dos laços políticos, comerciais e culturais.
Com informações de IstoÉ.