Os peruanos voltam às urnas neste domingo (7) para o segundo turno das eleições presidenciais, que será disputado entre o esquerdista Roberto Sánchez e a conservadora Keiko Fujimori. A votação ocorre das 7h às 17h no horário local (9h às 19h em Brasília).

O primeiro turno, realizado em 12 de abril, foi marcado por atrasos na entrega das cédulas e na montagem das seções eleitorais, o que impediu milhares de pessoas de votar e levou à extensão da votação para um segundo dia em algumas áreas, incluindo partes da capital, Lima. A apuração dos votos levou quase um mês para ser concluída, alimentando alegações de fraude por parte de alguns candidatos, embora observadores da União Europeia não tenham encontrado evidências de irregularidades.

Quem são os candidatos

Keiko Fujimori, de 50 anos, é a filha mais velha do falecido ex-presidente Alberto Fujimori. Formada em Administração de Empresas, com mestrado nos Estados Unidos, ela concorre à presidência pela quarta vez. Em sua campanha, prometeu atrair investimentos dos EUA e fortalecer os laços com a Casa Branca, alinhando-se a governos conservadores da região.

Roberto Sánchez, de 57 anos, é psicólogo social formado pela Universidade Nacional de San Marcos, em Lima, e trabalhou como psicoterapeuta. Com experiência em administração pública no Ministério da Saúde e em consultoria privada, ele foi ministro do Comércio Exterior. Sánchez defende a revisão de contratos de mineração, o aumento do salário mínimo e a reescrita da Constituição, medidas que geraram apreensão nos mercados financeiros.

Disputa acirrada

Pesquisa do Ipsos publicada na quinta-feira (4) mostra Sánchez com 43,8% das intenções de voto e Fujimori com 43,2%, configurando empate técnico dentro da margem de erro. Cerca de 13% dos entrevistados disseram que votariam em branco ou anulariam o voto.

Economia e comércio exterior

O Peru é um dos maiores produtores mundiais de cobre e importante exportador de minerais críticos para China e Estados Unidos. Sánchez afirmou que o país deve permanecer aberto a parceiros internacionais, mas em termos mais “justos”, com proteção ambiental e melhor redistribuição da riqueza da mineração. Ele nomeou o ex-ministro da Economia Pedro Francke para liderar sua equipe econômica, buscando tranquilizar investidores. Fujimori enfatizou estabilidade econômica e respeito à propriedade privada, nomeando Luis Carranza, ex-ministro da Fazenda e ex-diretor do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe, para sua equipe econômica.

Congresso e governabilidade

As eleições de abril restabeleceram o sistema legislativo bicameral, com uma Câmara dos Deputados de 130 cadeiras e um Senado de 60. Nenhum partido obteve maioria em nenhuma das casas, o que historicamente complica a governança e leva a frequentes processos de impeachment. Partidos de direita alinhados a Fujimori podem conquistar uma pequena maioria em ambas as casas. Sob o novo sistema, a destituição de um presidente exigirá aprovação em ambas as casas, cabendo ao Senado a decisão final.

Medidas para o segundo turno

As autoridades eleitorais afirmam que adotaram medidas para evitar os problemas do primeiro turno, incluindo a contratação de uma nova empresa de logística para distribuir as cédulas e a criação de um comitê para identificar riscos. O presidente do Júri Nacional Eleitoral, Roberto Burneo, reconheceu que a confiança no sistema eleitoral diminuiu após os atrasos, que levaram à renúncia e investigação do chefe de um órgão eleitoral independente. Burneo afirmou que os resultados podem levar “cerca de um mês” devido à disputa acirrada e a possíveis pedidos de recontagem.

O próximo presidente deve tomar posse em 28 de julho. O Peru já teve oito presidentes em uma década.

Com informações de CNN Brasil.