O Peru realizou eleições em 12 de abril, mas os resultados do primeiro turno só foram conhecidos cinco semanas depois. Já na Colômbia, as eleições de 31 de maio tiveram o resultado divulgado em apenas duas horas. Analistas consultados pela CNN explicam que o contraste decorre de diferenças no desenho dos processos eleitorais e nos níveis de desconfiança nas instituições, além de apontarem semelhanças entre as disputas.
Por que o Peru demorou e a Colômbia não?
Segundo Daniel Zovatto, diretor do Radar Latam 360, um primeiro fator é a forma como as eleições foram organizadas. No Peru, em 12 de abril, foram eleitos presidente, senadores, deputados e representantes do Parlamento Andino. Na Colômbia, em 31 de maio, as eleições foram apenas presidenciais, pois a votação para o Legislativo ocorreu em março. A realização de múltiplas eleições em um único dia costuma tornar a apuração mais lenta, e no Peru isso se somou ao recorde de 35 candidatos à presidência, contra 13 na Colômbia.
Além disso, o Peru enfrentou problemas logísticos que atrasaram a entrega de material eleitoral e a abertura de centros de votação. O Jurado Nacional de Eleições (JNE) estendeu o horário das seções e permitiu que algumas fossem instaladas na segunda-feira. Impugnações de atas também contribuíram para o atraso. A ONPE concluiu 100% da contagem em 15 de maio, e o JNE proclamou Keiko Fujimori e Roberto Sánchez como candidatos ao segundo turno em 17 de maio.
“No caso do Peru, o processo eleitoral do primeiro turno foi muito complicado, com muitas denúncias e grande judicialização. Não aconteceu o mesmo na Colômbia, onde o processo foi bem organizado e os dados foram transmitidos com rapidez”, disse Zovatto. Na Colômbia, já na noite de 31 de maio, sabia-se que Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda avançariam ao segundo turno.
Lucas Martínez-Villalba, professor do Tecnológico de Monterrey, acrescentou que as instituições colombianas adquiriram experiência em processos eleitorais, enquanto as do Peru foram afetadas pela instabilidade política do país, que teve oito presidentes nos últimos 10 anos. “Essa falta de estabilidade gera uma situação em que as eleições sofrem com a falta de institucionalidade, colocando todo o sistema eleitoral em dificuldades”, afirmou.
Semelhanças entre as eleições
Apesar das diferenças, ambas as eleições tiveram denúncias de suposta fraude. No Peru, o candidato Rafael López Aliaga, que ficou em terceiro lugar, questionou o resultado. Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro rejeitou a vitória de Abelardo de la Espriella. Nenhum dos dois apresentou provas.
Outra semelhança é a polarização e o fenômeno do “voto contra”. No Peru, há o voto antifujimorismo; na Colômbia, o voto antipetro. Ambos os segundos turnos são incertos e podem ter resultados apertados. Martínez-Villalba prevê que, no Peru, a apuração pode demorar e, se a margem for estreita, o perdedor pode tentar impugnar o resultado. Cenário semelhante é esperado na Colômbia.
Mensagens para a América Latina
O Peru não é o único país com demora na apuração. Em 2025, Honduras levou quase um mês para declarar o vencedor. Martínez-Villalba atribui isso à alta polarização e à desconfiança nas instituições. “O grupo que perder uma eleição vai necessariamente questionar os resultados. As instituições terão que fazer um esforço mais cuidadoso para apresentar um resultado confiável”, disse.
Zovatto destacou a importância das eleições no Peru, Colômbia e Brasil para redefinir o mapa político da América Latina, que, segundo ele, está se inclinando para a direita. “São processos eleitorais que, nos próximos quatro meses, vão terminar de redefinir o mapa político da região”, concluiu.
Com informações de CNN Brasil.