Os peruanos decidem neste domingo (7) quem governará o país pelos próximos quatro anos. O segundo turno das eleições presidenciais opõe o candidato de esquerda Roberto Sánchez, do partido Juntos pelo Peru, e Keiko Fujimori, do partido Força Popular, filha do ex-presidente Alberto Fujimori.

Ambos encerraram suas campanhas na quinta-feira (4) diante de milhares de apoiadores. A pesquisa mais recente, realizada há cinco dias, mostra os dois candidatos em empate técnico, com cerca de 20% do eleitorado indeciso, cansado da turbulência política que viu oito presidentes em uma década.

O primeiro turno, que contou com mais de trinta candidatos, foi marcado por falhas técnicas e denúncias de fraude, refletindo a frustração generalizada com a classe política. Juntos, Fujimori e Sánchez não obtiveram sequer 30% dos votos.

Crise política persiste

A ex-deputada peruana Veronika Mendoza afirmou ao Brasil de Fato que, independentemente do resultado, “a extrema instabilidade continuará”. Segundo ela, “a crise política e de regime não foi resolvida pelo processo eleitoral. Uma solução constituinte ainda está pendente”.

Perfil dos candidatos

Roberto Sánchez, psicólogo de 57 anos, apresenta-se como o candidato do “Peru profundo”, pobre e rural. Usa o chapéu de palha herdado do ex-presidente Pedro Castillo como símbolo identitário andino. Sánchez foi ministro do Comércio e Turismo no breve governo de Castillo, destituído e preso em 2022 após tentar um autogolpe. O candidato visita Castillo com frequência e promete indultá-lo se eleito.

Sua candidatura cresceu após uma aliança com Castillo. Sua base mais forte está nas populações rurais e pobres do sul dos Andes. Defende a ruptura com o modelo econômico liberal da Constituição de 1993, propõe convocar uma Assembleia Constituinte, criar um Estado plurinacional e realizar uma reforma judicial com eleição popular de juízes e promotores. Sánchez afirma não ser comunista, mas vir do social-cristianismo, definindo-se como “homem de fé”, “pró-vida” e “pró-família”.

Após passar ao segundo turno, o Ministério Público peruano reativou um caso contra ele por suposta falsificação de informações sobre aportes em sua campanha legislativa entre 2018 e 2020.

Keiko Fujimori, 51 anos, disputa a presidência pela quarta vez, após três derrotas no segundo turno. Formada em administração nos EUA, ex-parlamentar e líder do Força Popular, esta é sua primeira eleição sem o apoio físico do pai, falecido em 2024. O sobrenome garante uma fatia fiel de eleitores que lembram o controle da hiperinflação e a derrota de grupos guerrilheiros nos anos 1990, mas também gera rejeição devido ao histórico de autoritarismo, corrupção e violação de direitos humanos do antigo regime.

Muitos atribuem a Keiko e ao seu partido grande parte da instabilidade política da última década, acusando o Força Popular de usar sua influência no Congresso para desestabilizar governos. Keiko enfrenta pendências judiciais: chegou a passar mais de um ano em prisão preventiva investigada por suposta lavagem de dinheiro no escândalo da Odebrecht.

Sua campanha focou na promessa de restaurar a ordem, traçando paralelo com a linha dura do pai contra o terrorismo para prometer o fim do crime organizado. Ela atacou o adversário, afirmando que o modelo dele “leva à pobreza e ao caos”.

Insegurança e economia

Um dos maiores problemas que o próximo presidente enfrentará é a sensação de insegurança. O Peru registrou um aumento de 20% nos casos de extorsão em 2025 comparado ao ano anterior. Lima registrou 23 homicídios por 100 mil habitantes em 2025, três vezes a taxa de cinco anos antes, segundo dados oficiais.

Sánchez atribui a criminalidade à corrupção e propõe a “morte civil” para corruptos, impedindo-os permanentemente de exercer cargos públicos. Keiko promete lidar com a situação com mais repressão.

Apesar da instabilidade, a economia peruana é estável. O próximo presidente terá de lidar com um Congresso dividido e profunda desconfiança popular. Cerca de 27 milhões de peruanos estão convocados a votar, em um país onde o voto é obrigatório.

Com informações de Brasil de Fato.