Os peruanos vão às urnas neste domingo (7) para escolher o próximo presidente do país em uma disputa entre Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, e Roberto Sánchez, aliado e herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo, ambos de esquerda. A eleição ocorre em meio a mais um capítulo da crise política que marcou o Peru nos últimos anos.

Keiko venceu o primeiro turno e tenta chegar à Presidência pela quarta vez. Já Sánchez ganhou projeção nacional durante a campanha ao se apresentar como representante de setores rurais e apoiadores de Castillo, que governou entre 2021 e 2022 e atualmente está preso após uma suposta tentativa de autogolpe.

As pesquisas indicam uma disputa apertada. Levantamento do Ipsos realizado nos dias 29 e 30 de maio mostrou Keiko com 40,4% das intenções de voto e Sánchez com 38,3%, resultado dentro da margem de erro de 2,8 pontos percentuais. Os votos brancos e nulos somam 21,3% dos entrevistados.

A eleição ocorre em um cenário de forte desgaste institucional. Nos últimos dez anos, o Peru teve nove presidentes e enfrentou sucessivas crises entre Executivo e Congresso. Especialistas apontam que a instabilidade política e a fragilidade dos partidos contribuíram para o atual quadro de desconfiança entre os eleitores.

A corrupção e a criminalidade aparecem entre as principais preocupações da população. Segundo pesquisa da AtlasIntel citada pela reportagem, 66,9% dos eleitores apontam a corrupção como um dos maiores problemas do país, enquanto 46,8% mencionam a segurança pública.

Durante a campanha, Keiko voltou a apostar na imagem de seu pai como símbolo de ordem e combate à violência. O slogan da candidata é “Volta Fujimori, volta a ordem”, e sua campanha defende medidas mais rígidas de segurança pública.

Sánchez buscou ampliar alianças políticas e adotou um discurso mais moderado para o mercado financeiro. Entre suas propostas estão a manutenção da autonomia do Banco Central e a elaboração de uma nova Constituição para substituir a Carta promulgada durante o governo Fujimori em 1993.

O resultado definirá quem comandará um país que convive há anos com instabilidade política, sucessivas trocas de governo e crescente insatisfação popular. Além da disputa entre dois projetos distintos, a votação também será mais um teste para a capacidade das instituições peruanas de recuperar a confiança dos eleitores.

Com informações de Diário do Centro do Mundo.