Uma análise da Polícia Técnico-Científica concluiu que o disparo que matou o soldado Matheus Almeida Rodrigues, de 28 anos, em abril deste ano em Sorocaba (SP), foi efetuado por uma arma da própria Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP). O laudo, divulgado pelo site Metrópoles e confirmado pela Ponte, aponta que o projétil era do calibre .40 S&W, compatível com as pistolas Glock modelo G22 Gen5 usadas pelos agentes na ocorrência.
O caso, inicialmente tratado como morte em confronto com assaltantes, passou a ser investigado como possível fogo amigo. Imagens de câmeras de segurança mostram que Matheus foi atingido cerca de um minuto após os colegas terem disparado contra quatro criminosos que roubavam uma farmácia — três deles morreram no local. Depoimentos de policiais e testemunhas também contradizem a versão de confronto.

Detalhes da perícia
O projétil que matou Matheus ficou alojado no lado esquerdo do crânio e foi recuperado. A análise indicou “elementos sugestivos” de que era uma munição .40 S&W. As armas dos policiais eram do mesmo calibre. Já os assaltantes, segundo os PMs, usavam revólveres calibre .38. Nenhum policial levantou a hipótese de que os criminosos teriam tomado uma arma da PM, o que reforça que os disparos .40 só poderiam partir dos agentes.
A Polícia Técnico-Científica analisou oito pistolas Glock apreendidas, mas não identificou de qual partiu o tiro fatal. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) já denunciou o único assaltante sobrevivente, mas não pediu esclarecimentos adicionais sobre a morte do soldado. A Corregedoria da PM também investiga.

Versões contraditórias
Policiais ouvidos afirmam que houve confronto, mas os relatos divergem entre si e contradizem os vídeos. Segundo um dos vídeos, a situação já estava contida quando Matheus chegou ao local, 40 segundos após os últimos disparos. Ele caminhou pela calçada e se aproximou do corpo do motorista, enquanto três colegas contornavam o carro. Segundos depois, foi atingido na cabeça.
Os três policiais que estavam do lado direito do veículo disseram que pretendiam desarmar um assaltante que ainda estava no carro. Um deles afirmou acreditar que o tiro partiu do criminoso; outro disse que “possivelmente foi deles”; o terceiro não soube informar. Já o sobrevivente do assalto, um motoboy de 19 anos sem antecedentes, alega que o grupo só tinha uma arma de brinquedo e que tentou se render.
Histórico do assalto
O roubo à farmácia começou por volta de 1h35 do dia 11 de abril. A gerente reconheceu um dos assaltantes, que já havia participado de outro roubo no local. Os criminosos levaram dinheiro e canetas emagrecedoras. Funcionárias relataram ter visto apenas uma arma, e uma delas disse que um dos assaltantes ameaçou as vítimas sem exibir arma.
Os assaltantes fugiram em um Volkswagen Virtus prata, roubado em 3 de abril em Franco da Rocha. Policiais já tinham informação de que a farmácia poderia ser alvo naquela madrugada. Os PMs envolvidos foram afastados das ruas até a conclusão das investigações, segundo a Secretaria da Segurança Pública.
Com informações de Ponte Jornalismo — leia a matéria original.