O Departamento de Defesa dos Estados Unidos elevou ao nível máximo a avaliação de ameaça de contraespionagem atribuída a Israel, conforme relatórios de inteligência citados pelo jornal The New York Times. A medida ocorre em meio às negociações entre Washington e Teerã e envolve suspeitas de que agências israelenses tenham monitorado comunicações de autoridades estadunidenses ligadas às tratativas com o Irã.

Autoridades dos Estados Unidos acreditam que Israel ampliou os esforços para obter informações sobre a posição de Washington nas conversas. Entre os possíveis alvos estão Steve Witkoff, principal negociador de Donald Trump, Elbridge Colby, responsável pela política do Pentágono, e outros integrantes da área de segurança nacional.

O relatório da Agência de Inteligência de Defesa (DIA) aponta que a classificação da ameaça atribuída a Israel subiu de “alta” para “crítica” nas últimas semanas. O documento também cita episódios de espionagem contra militares e funcionários do governo estadunidense. Os incidentes teriam aumentado desde o fim de 2024, em um período de divergências entre Washington e Tel Aviv sobre Gaza e, depois, sobre a estratégia diante do Irã.

O alerta surge apesar da forte cooperação militar entre os dois países. Oficiais israelenses e estadunidenses trabalham lado a lado em operações e no compartilhamento de informações estratégicas. Mesmo assim, integrantes do governo dos Estados Unidos afirmam que Israel tenta mapear mudanças de posição de Donald Trump e detalhes da estratégia estadunidense para o Oriente Médio.

Representantes dos dois governos negam as acusações. O Departamento de Defesa não comentou oficialmente o caso. Um funcionário da Casa Branca classificou as informações como falsas. A embaixada de Israel em Washington também negou que o país espione autoridades ou instituições dos Estados Unidos.

As negativas não reduziram a preocupação interna. Autoridades ouvidas pelo jornal afirmam que o alerta sobre Israel supera o atribuído a qualquer outro aliado dos Estados Unidos. O relatório aponta risco de impacto no compartilhamento de informações militares e de aumento das tensões entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu, sobretudo nas negociações com o Irã.

Com informações de Diário do Centro do Mundo.