Pela primeira vez, o percentual de analfabetismo entre mulheres com 60 anos ou mais ficou abaixo do registrado entre homens da mesma faixa etária. É o que aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) Educação 2025, divulgada nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No ano passado, a taxa de analfabetismo feminina nesse grupo foi de 13,7%, enquanto a masculina alcançou 14,1%. O IBGE considera analfabetas as pessoas que não sabem ler e escrever um bilhete simples.
Concentração na terceira idade
O levantamento mostra que 58% dos analfabetos do país estão concentrados na população com 60 anos ou mais. Para o analista da pesquisa, William Kratochwill, os números indicam progresso na escolarização feminina ao longo das gerações. “Esses resultados sugerem avanços na escolarização feminina em todas as gerações, apontando para uma reversão do legado de desigualdade educacional do passado”, afirmou.
Taxa geral e disparidade racial
No total, a taxa de analfabetismo no Brasil é de 4,9%, o que corresponde a 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais. Entre pretos ou pardos, o índice é de 20,6%, quase três vezes superior ao registrado entre brancos (7,3%), evidenciando uma profunda disparidade racial.
Mulheres jovens também têm menor analfabetismo
O padrão de menor analfabetismo feminino se repete entre os mais jovens. Na população com 15 anos ou mais, 4,6% das mulheres não sabem ler ou escrever, contra 5,2% dos homens. Os dados refletem uma tendência de maior acesso e permanência feminina no sistema educacional nas últimas décadas.