O julgamento da decisão individual do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que censurou uma pesquisa do Instituto AtlasIntel foi suspenso nesta terça-feira (9) após pedido de vista da ministra Estela Aranha. A pesquisa indicava queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência.

Nunes Marques havia votado pela manutenção da suspensão do levantamento, que mostrou redução de cinco pontos percentuais nas intenções de voto de Flávio após a divulgação de áudios de conversas entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro sobre a negociação de aproximadamente R$ 132 milhões para o filme Dark Horse, que aborda a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A censura foi solicitada pela campanha do senador. Com o pedido de vista, a decisão de Nunes Marques continua em vigor até o fim do julgamento, que não tem data para ser retomado.

Na pesquisa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principal adversário de Flávio, apareceu com 48,9% das intenções de voto, contra 41,8% do senador. Na rodada anterior, realizada em abril, antes da divulgação da conversa, Flávio tinha 47,8% e Lula 47,5%, indicando oscilação negativa de seis pontos para o parlamentar.

Entre os entrevistados que afirmaram saber do vazamento das conversas, 51,7% disseram ver indícios de envolvimento direto de Flávio no escândalo do Banco Master. Outros 33,3% avaliaram que as conversas mostram tentativa legítima de obter apoio financeiro para o filme, e 12,1% enxergaram apenas relação de proximidade, sem comprovação de ilegalidade.

O principal argumento da campanha de Flávio Bolsonaro é que o instituto teria induzido os entrevistados a associar o senador a uma percepção negativa ao reproduzir o áudio da conversa antes das perguntas. Na liminar, Nunes Marques proibiu a AtlasIntel de divulgar, impulsionar, republicar ou manter o levantamento em seus canais oficiais até nova deliberação da Corte.

O PL sustentou que o questionário continha elementos capazes de influenciar os entrevistados, associando o nome de Flávio ao caso Vorcaro antes da coleta de opiniões sobre intenção de voto. A defesa afirmou que a sequência das perguntas poderia comprometer a neutralidade.

Ao conceder a liminar, Nunes Marques afirmou haver indícios de possível comprometimento da metodologia. “Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforça, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada”, disse o ministro, que pediu posicionamento do Ministério Público Eleitoral.

Em nota, a AtlasIntel informou que respeitará a decisão, mas reafirmou “a robustez técnica e a legalidade do estudo”. O instituto destacou que a pesquisa foi realizada sem que o áudio controverso fosse reproduzido aos respondentes durante a aplicação do questionário, e que o questionário principal foi concluído antes de qualquer contato com o conteúdo audiovisual. “Não houve qualquer tipo de indução aos entrevistados”, concluiu.

Com informações de Brasil de Fato — leia a matéria original.