Parlamentares em Brasília têm priorizado discursos voltados para as eleições de 2026, enquanto projetos de grande impacto, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e a redução da maioridade penal, enfrentam resistência e lentidão proposital. O calendário eleitoral e festividades nacionais contribuem para a desaceleração das votações.
Os principais temas em pauta envolvem segurança pública, como a redução da maioridade penal e a PEC da Segurança. Também estão no topo da lista o fim da escala de trabalho 6x1, regras para motoristas de aplicativos e pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Esses assuntos geram grande engajamento nas redes sociais, o que interessa diretamente aos políticos que buscam atrair a atenção de seus eleitores.
Muitos projetos são apresentados como estratégia de campanha, sem que existam votos suficientes para aprová-los. Os presidentes da Câmara e do Senado têm o poder de decidir o que vai ou não para votação. Se um tema é considerado polêmico demais ou pode gerar desgaste antes da eleição, ele costuma ser deixado de lado. O rito legislativo brasileiro, naturalmente lento, também evita mudanças bruscas.
Os políticos estão em 'modo campanha', o que significa que muitos evitam apoiar medidas impopulares para não prejudicar sua imagem junto ao eleitorado. O foco se desloca da busca por soluções técnicas para a criação de narrativas que mobilizem suas bases. O calendário também contribui para a desaceleração: eventos como festas de São João no Nordeste e a Copa do Mundo reduzem a presença dos parlamentares nas sessões de votação.
O governo federal foca em pautas trabalhistas e de segurança para reforçar sua conexão com sindicatos e trabalhadores urbanos. Defende abertamente o fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança Pública, que permitiria ao governo federal atuar de forma mais ativa contra o crime organizado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu recriar o Ministério da Segurança Pública caso a PEC seja aprovada, mas a proposta ainda aguarda despacho do Senado.
Mesmo sem aprovação, essas pautas rendem o que especialistas chamam de 'dividendos políticos'. O simples fato de um deputado protocolar um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ou defender um tema polêmico serve como combustível para manter sua base militante ativa. Trata-se de uma morosidade estratégica: o assunto continua vivo no discurso para ser usado como promessa ou ataque durante a campanha eleitoral, mesmo sem previsão de sair do papel.
Com informações de Gazeta do Povo.